O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 08/02/2020

A animação norte-americana “História das Coisas” relata o ritmo de produção estadunidense dos anos 2000, o qual retira da natureza, descontroladamente, uma grande quantidade de matéria-prima para a fabricação de suas mercadorias. Nesse sentido, a narrativa destaca uma população ausente em práticas de reaproveitamento e expõe os impactos que essas atitudes provocam no país, tais como o acúmulo de resíduos. Fora da ficção, esse cenário de desequilíbrio no consumo sustentável também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela irracionalidade do setor popular e industrial – dificulta a utilização consciente de recursos e prejudica o equilíbrio dos ecossistemas.

A princípio, cabe analisar o papel incoerente do meio social sob a visão da filósofa alemã Hannah Arendt. Segundo a autora, a sociedade sustenta práticas deploráveis simplesmente por não analisar a repercussão desses atos. Analogamente, na medida em que grande parte da população não repensa a real necessidade de compra ou ignora a reutilização de seus objetos, essas pessoas acabam por influenciar no acúmulo de rejeitos e atrapalham ações que possam reduzir o consumo inconsciente. Por consequência, gradativamente, hábitos sustentáveis ficam inexistentes no cotidiano brasileiro, o que impede uma gestão segura dos recursos naturais e danifica áreas ecológicas.

Ademais, além do meio popular, a irracionalidade do setor produtivo também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo o autor, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em consequências individuais. Dessa forma, o atual âmbito industrial contradiz esse pensamento ao visar somente seu próprio contexto de lucratividade – o qual negligencia técnicas de reaproveitamento e manutenção das matérias-primas com o intuito de diminuir despesas na produção. Logo, observa-se o aumento do desequilíbrio ambiental e uma dificuldade de preservar recursos para futuras gerações.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com agências publicitárias, deve promover campanhas acerca do consumo sustentável, de modo a divulgar vídeos nas redes sociais, com demonstrações pedagógicas de reaproveitamento das mercadorias, para difundir esse pensamento na esfera social. Dessa maneira, será possível construir hábitos de sustentabilidade e diminuir os danos causados pelo consumismo exagerado. Além disso, o governo, por meio de taxações tributárias, deve aumentar impostos sobre indústrias que não objetivam a reutilização e preservação de matérias-primas, a fim de consolidar a exploração racional da natureza e inibir degradações ecológicas, assim como ocorreu na animação “História das Coisas”.