O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 25/02/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o consumismo desenfreado apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da permissividade do governo, quanto da cultura de ostentação. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a alta rotatividade de bens de consumo deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, as quais recebem impostos arrecadados sobre mercadorias comercializadas, o consumidor é bombardeado diariamente com propagandas mentirosas que pregam a felicidade por meio da compra de produtos na moda, ignorando os danos ao meio ambiente e a saúde financeira do consumidor . Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a cultura de ostentação como promotora do problema. De acordo com o site www.vilamulher.com.br, em 2017, a produção mundial per capta, de 1950 a 2016, cresceu onze vezes. Partindo desse pressuposto, os meios de comunicação atuais são bem estruturados e sabem como atingir o consumidor mediante a propagandas para comprar cada dia mais, porém, o planeta não terá recursos naturais para suprir tanta demanda de bens naturais e nem condições de suportar o lixo criado.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o consumo excessivo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será revertido na mudança da grade de ensino regular das escolas públicas, por meio da inserção de uma matéria especifica que ensine o consumo ponderado e reutilização de bens não renováveis. Também é de extrema importância que o Governo Federal desestimule a veiculação de propagandas consumistas. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da poluição ambiental, e a coletividade alcançará a Utopia de More.