O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 23/04/2020
O sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, diante das mudanças proporcionadas nas sociedades pós sucessivas revoluções industriais, pronunciou a frase “Consumo, logo existo”. Neste contexto, a veracidade da frase é constatada perante o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade, em virtude do consumo inconsciente dos indivíduos e a produção exacerbada das empresas. Visto que o uso desenfreado dos recursos naturais e a obsolescência programada contribuem com esse cenário, medidas fazem-se necessárias.
Em primeira análise, é evidente que o uso excessivo dos recursos naturais compromete a sua disponibilidade futuramente. Nessa perspectiva, segundo pesquisa divulgada pelo portal Vila Mulher, em 2016, cerca de 30 trilhões de dólares foram gastos no mundo em produtos em geral. Sob essa ótica, uma vez que, majoritariamente, são usados recursos naturais – minerais, hídricos e energéticos – para a produção de bens, nota-se a exploração exponencial dos elementos. Desse modo, posto que, muitas vezes, os recursos não são renováveis, sem um consumo sustentável, haverá esgotamento.
Além disso, a obsolescência programada, ou programação do tempo de funcionalidade de um produto, é uma realidade. Nesse sentido, de acordo com pesquisa feita pelo jornal Gazeta do Povo, a diferença entre o tempo ideal de uso dos objetos e o tempo usado real é de, aproximadamente, dois anos. Por conseguinte, à medida que os utensílios danificam antes do tempo esperado, frequentemente, os compradores adquirem outro para substituir o estragado, o que aumenta a taxa de consumo mundial. Dessa forma, com os produtos menos duráveis, a produção aumenta, afetando, mais uma vez, a sustentabilidade.
Portanto, diante dos fatos supracitados, cabe a Organização das Nações Unidas - Meio Ambiente, juntamente às associações das indústrias de cada país, promover a diminuição do uso hiperbólico dos recursos naturais, por meio de fiscalizações nas produções, em que a produção sustentável – utilização de recursos renováveis e baixo impacto ambiental – seja averiguada e instruída, com o intuito de diminuir os exageros unidos à produção e a programação da durabilidade dos produtos. Dessa maneira, o desequilíbrio entre o consumo e sustentabilidade será diminuído.