O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 04/05/2020
De acordo com Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, todo homem toma os limites do seu próprio campo de visão como os limites do mundo. De maneira análoga, esse posicionamento, proposto por Schopenhauer, evidencia a existência de obstáculos para alcançar a sustentabilidade na modernidade. Isso se deve não só ao imediatismo, como também à ineficiência legislativa presentes na sociedade.
A Revolução Industrial desencadeou grandes avanços tecnológicos e sociais que interligaram o vínculo entre velocidade e desenvolvimento como força motriz para a sociedade. Nesse sentido, a liquidez das relações, proposta por Zigmunt Bauman, representa o resultado do imediatismo irrompido no século XXI. Ademais, a ansiedade presente neste século corrobora para o consumismo exacerbado haja vista que, em consonância com o jornal G1, quase 80% da população não pratica o consumo consciente. Desse modo, a obsolescência programada fomentada pela demanda do mercado reflete um dos impasses frente à sustentabilidade no Brasil.
Além disso, sabe-se que a Constituição Cidadã, por meio de leis - como a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente que visa penalizar os infratores que poluírem o meio ambiente -, evidencia a necessidade da preservação e cuidado com o ambiente. Entretanto, nota-se que a potencialização de lucros, em um sistema capitalista, é o principal objetivo. Em decorrência, segundo a ONU cerca de 70% de todo recurso natural do planeta foi extraído pelo homem. Nesse viés, a negligência dos governos frente à degradação ambiental simboliza o individualismo humano. Dessa forma, assim como o proposto por Thomas Hobbes – cuja afirmativa indicia o homem de ser seu próprio lobo – o indivíduo busca o enriquecimento hodierno em detrimento do futuro da sociedade.
Isto posto, percebe-se que apesar do país reconhecer a necessidade da sustentabilidade o descaso com a mesma permeia as decisões socioeconômicas. Sendo assim, cabe, em primeiro ponto, às Instituições Estudantis, associado com a mídia, o dever de incentivar o consumo consciente, por meio de debates, propagandas e pesquisas que apontem a devastação ambiental causada pelo consumo exagerado, com o intuito de mudar o cenário imediatista e, por conseqüência, corroborar com o meio ambiente. Além disso, cabe ao Governo Federal a efetivação das leis ambientais, com o aumento da fiscalização das instituições privadas, a fim de diminuir a degradação causada pelas demais ao meio.