O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 28/07/2020

O filme “Wall-E”, de 2008, retrata um mundo distópico, onde não existem mais humanos na Terra devido à poluição e ao excesso de lixo. De modo geral, a obra critica o mau uso dos recursos naturais e seus impactos no meio ambiente. Este desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade deve-se à veneração e pouca durabilidade dos produtos, cenário esse que precisa de soluções.

De início, destaca-se a supervalorização das mercadorias. Segundo o sociólogo Karl Marx, nas sociedades capitalistas, ocorre o fenômeno chamado “fetichismo”, que consiste na atribuição de um valor superior ao real em um objeto. Como exemplo dessa ideia, tem-se como base as propagandas, uma vez que elas estimulam o ato de comprar por meio da persuasão, de modo a superestimar o produto comercializado. Isso, no âmbito da sustentabilidade, é alarmante, visto que incentiva o consumismo que, por sua vez, colabora com mais lixos ao meio ambiente após o descarte dos bens usados.

Outrossim, a obsolescência programada também é um empasse para um mundo sustentável. Esse termo, surgido com o advento da Terceira Revolução Industrial, designa a inutilização planejada dos produtos vendidos, pois instrui os consumidores a substituírem periodicamente seus objetos, de forma a comprarem mais. Por conseguinte, as mercadorias obsoletas tornam-se lixos que, majoritariamente, não são biodegradáveis, fato que promove a contaminação do solo, ar ou da água. Em suma, conclui-se que tal prática é preocupante, já que prevê o aumento de entulhos no meio ambiente.

Portanto, é notório que o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade carece de resoluções. Então, a fim de formar cidadãos conscientes, cabe ao Ministério da Educação estimular a adoção de hábitos sustentáveis, mediante a inserção, nas escolas, de uma disciplina voltada a esse assunto, de modo a evitar o fetichismo e auxiliar na busca por bens duráveis. Destarte, o filme “Wall-E” ficará apenas na ficção.