O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 19/08/2020

Em meados do século XX, até a década de 1990, acontecia a chamada Guerra Fria, uma disputa armamentista e ideológica entre duas potências mundiais: EUA e URSS. Assim, com a vitória dos americanos, foi instituído ao mundo um modelo social e econômico fundamentado em preceitos capitalistas. Por consequinte, iniciou-se um modelo de vida baseado em uma necessidade de consumo sem a devida consciência ambiental. Dessa maneira, ocorre um desequilíbrio na sustentabilidade devido à alta taxa de produção para suprir a demanda dos consumidores, sendo essa incentivada pelos meios midiáticos.

Constata-se, a princípio, que, a partir da Revolução Informacional, com início em meados do século XX, ocorreram diversos aperfeiçoamentos no âmbito da indústria, entre eles: a velocidade de produção de mercadorias. Nesse contexto, segundo dados do IBGE de 2019, o consumo de bens e serviços aumentaram cerca de 28% a mais do que a dez anos atrás. Como consequência dessa enorme fabricação industrial e da demanda populacional, cresce também a quantidade de recursos naturais extraídos, como metais, petróleo e madeira, acarretando mudanças climáticas prejudiciais a população e ao meio ambiente.

Ressalta-se, ademais, que, segundo o filósofo e sociólogo Karl Marx, o estímulo ao consumo tornou-se um fator primordial para o funcionamento do sistema capitalista vigente, sendo denominado de fetiche sobre a mercadoria. Nessa perspectiva, a mídia tem função primordial em construir a ilusão de felicidade ligada à compra de bens materiais. Assim, grandes empresas utilizam desta meio para influenciar a população em relação ao que e quando comprar. Dessa maneira, nota-se que a sociedade está à mercê dos meios midiáticos para decidir o momento certo, por exemplo, de trocar de smartphones, o que aumentando consideravelmente o lixo produzido por pessoa, agravando ainda mais os danos ambientais causados pelo descarte desse materiais.

Portanto, torna-se mister medidas que equilibrem o consumo e a sustentabilidade. À vista disso, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente com órgãos midiáticos, deve promover, por meio de redes sociais e televisivas, visando alcançar todos os públicos, campanhas de incentivo ao consumo consciente ligado ao descarte adequado de lixo produzido diariamente. Cabe, assim, ainda ao Ministério, construir locais adequados de deposição para reciclagem, diminuindo a degradação ambiental promovida por práticas de um sistema capitalista.