O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 02/09/2020
Desde o surgimento do Iluminismo no século XVIII, entende-se que os problemas sociais só se resolvem quando há uma união das pessoas como sociedade. Entretanto, o desequilíbrio entre o consumo e sustentabilidade aponta que os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, pregados por esse motim, são atestados na teoria, mas não preferivelmente na prática, mostrando que a problemática permanece enraizada à realidade do país, seja pela falta de incentivo dos governos em reciclar e reutilizar e, também, pela baixa durabilidade dos produtos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
É relevante abordar, primeiramente, que o aumento do volume recolhido de lixo deriva de uma inércia governamental. Segundo Aristóteles, a política deve ser uma arte de se fazer justiça e, com ela, levar equilíbrio para a sociedade. De maneira símil, é possível perceber que o descarte de produtos que poderiam ser reutilizados, desfaça essa harmonia, haja vista que, nos Estados Unidos, com a Black Friday, a população aproveita os preços baixos para comprar móveis ou versões mais avançadas de seus eletroeletrônicos e, posteriormente, descartam os pertences antigos que, na maioria das vezes, continuam sendo utilizáveis.
Paralelamente a isso, o pensamento do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, de que o mundo está vivendo uma “Modernidade Líquida”, na qual as relações sociais, políticas e econômicas são superficiais e não duradouras, se evidencia quando as empresas de smartphones, guiadas pelo lucro, limitam a vida útil de seus aparelhos, obrigando aos consumidores a comprarem versões mais novas. De acordo com o site Canaltech, um celular poderia durar até 15 anos se não fosse a obsolência programada, na qual limita sua durabilidade em uma média de apenas 2 anos.
Com isso, pode-se perceber que o debate acerca do consumo e sustentabilidade é imprescindível para a construção de uma sociedade mais utópica. Diante disso, é imperativo que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações crie um aplicativo, destinado à população carente, para a doação de produtos usados entre os usuários. Assim, quando uma pessoa trocar seu telefone ou móvel ela poderá postá-lo nesse software e os indivíduos que não possuem condições financeiras de comprar, poderão recebê-los como doação. Diante disso, o número de toneladas de lixo eletrônico e mobílias descartados terá uma diminuição, já que eles passarão a ser reutilizados e reciclados ao invés de irem para os lixões.