O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 26/10/2020
Em 1972, com a criação do Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entidades e organizações buscavam formas de amenizar o desequilíbrio existente entre consumo e sustentabilidade. Entretanto, na atualidade, mesmo após décadas de trabalho e orientações, diversas empresas negligenciam seus processos produtivos e parte expressiva da sociedade brasileira desconhece os riscos trazidos pelo consumo desenfreado, corroborando a necessidade de novas atitudes quanto ao tema.
Nota-se, a princípio, a despreocupação de empresas de vários portes e ramos quanto a união da produção à sustentabilidade. Por certo, o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da empresa Vale SA, em Mariana, município de Minas Gerais, confirma o descaso com a preservação da natureza e a corrida constante pelo lucro por parte das firmas. Nesse sentido, evidencia-se a falha fiscalização e efetivação de leis quanto ao combate da produção irregular no Brasil, o que faz com que desastres, como o de Brumadinho, também pela empresa supracitada, repitam-se e devastem o meio ambiente.
Para mais, outro importante aspecto a ser considerado é a insciência da sociedade quanto as consequências trazidas pelo consumo excessivo. O documentário ‘’Cowspiracy’’, de 2014, retrata a escassa divulgação pela mídia sobre os impactos trazidos pelo elevado consumo de carne. De forma similar, há pouca divulgação e debate entre os brasileiros sobre a real necessidade da utilização e compra de diversos produtos. Esse cenário piora ainda mais com o número excessivo de propagandas e anúncios que incentivam a compra de serviços e objetos, muitas vezes não essenciais. Desse modo, mudanças e orientações devem ser realizadas para alterar essa realidade. .
Depreende-se, portanto, a necessidade de alteração da relação homem natureza. Para isso, o Ministério Público deverá intensificar as penalidades por danos ao meio ambiente, delegando fiscalizações mensais, em dias distintos, a fim de comprovar se as informações apresentados pelas empresas correspondem, de fato, a suas obrigações. Ademais, o Ministério da Economia, em parceria com o Governo Federal, transmitirá, por meio das principais mídias sociais, como o consumo inconsequente torna-se um malefício a saúde do planeta, além de reduzir a exibição de propagandas que fomentem o consumo desnecessário. Dessa forma, a sociedade brasileira colaborará para a efetiva implementação do PNUMA.