O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 20/02/2021
A sigla ASG (Ambiental, Social, Governança) denomina um grupo de empresas e investidores preocupados com o meio ambiente e que visam a lucratividade sustentável. Contrariamente ao capitalismo de obsolescência programada, o ASG surgiu por conta da desarmonia entre crescimento e sustentabilidade. Infelizmente, a obsolescência acaba por estimular o consumo exagerado e produz milhões de toneladas de lixo eletrônico, assim prejudicando todo o meio ambiente.
Em primeiro lugar, vale ressaltar, que o capitalismo, covardemente, se tornou dependente da obsolescência programada. Ela ocorre quando uma empresa vende um produto com uma durabilidade menor para que o consumo se intensifique. A obsolescência parece ser uma técnica recente, entretanto, ela foi noticiada pela primeira vez em 1901, pela BBC, quando fabricantes de lâmpadas recompraram seus estoques e os substituíram por produtos de menor qualidade.
Enquanto essa técnica perdurar, as consequências nefastas serão visíveis. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os resíduos de lixo eletrônico passaram de 915 milhões de toneladas por ano, em 2014, para 960 milhões de toneladas, em 2018. Ademais, segundo pesquisas da Universidade de Oxoford, praticamente metade do lixo têm origem em países emergentes, ou seja, em países em que o consumo está aumentando.
Em suma, se o obstáculo for a falta de durabilidade, então precisamos aumentá-la. É preciso que a Câmara de Deputados aprove, em caráter de urgência, uma mudança no Código de Defesa do Consumidor fazendo a garantia de bens duráveis aumentar de 3 meses para 2 anos. Essa medida irá impedir que fabricantes de bens duráveis, como celulares e computadores, programem seus produtos com uma durabilidade menor que dois anos, assim freando a obsolescência programada e, consequentemente, reduzindo o número de lixo eletrônico produzido.