O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 02/12/2020

Com o advento da Revolução Industrial a produção mundial aumentou para atender aos anseios da população, principalmente após as influências do período denominado “American Way of Life”, na qual ficou estabelecida a relação entre consumo e bem-estar. Esses períodos históricos consolidaram o modo de vida capitalista, caracterizado pela ênfase na produtividade e no consumo, que tem, contudo, se constituído como um ciclo problemático para a vida na Terra. Assim, a apelação capitalista para o consumo exacerbado é insustentável para o planeta a longo prazo, motivo pelo qual tal modo de vida deve ser discutido e revisto.

Em primeiro lugar, é necessário destacar que o modelo econômico vigente é sustentado por um padrão de consumo baseado na não durabilidade dos produtos vendidos. Esse descarte rápido remete ao conceito de obsolescência programada, no qual o produto é desenvolvido para se tornar obsoleto em pouco tempo e, dessa maneira, incentivar o consumidor a adquirir um novo, representando maior lucratividade na lógica do sistema de consumo atual. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos, no documentário “O mundo global visto do lado de cá”, alertou que o consumismo é o fundamentalismo desses tempos, e que cada vez mais as pessoas estão consumindo como os norte-americanos. Entretanto, não há sustentabilidade nessa forma predatória de comprar e produzir.

Prova disso, é que o consumismo predatório gera prejuízos irreversíveis para a biodiversidade terrestre e já se configura como uma problemática para as futuras gerações. Isso ocorre porque a interferência humana para obtenção de matéria-prima altera os ecossistemas, causando graves problemas ambientais para as demais espécies. Além disso, muitos dos recursos utilizados para suprir os hábitos de consumo atuais não são renováveis, a exemplo dos combustíveis fósseis, principais causadores do aquecimento global, e do uso em larga escala dos objetos plásticos, que em 2050 podem superar a quantidade de peixes nos oceanos. Destarte, a avidez consumista não reconhece a finitude dos recursos naturais e não demonstra compromisso com as gerações futuras.

Registra-se, portanto, a necessidade de buscar o equilíbrio entre consumo e sustentabilidade. Dessa forma, é preciso que as empresas e indústrias tenham responsabilidade na fabricação de produtos com maior durabilidade, a fim de que as commodities neles empregadas sejam aproveitadas por mais tempo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável a longo prazo, que é lucrativo para todos. Ademais, o Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, deve investir na produção de energia oriunda de fonte renovável e na popularização do plástico verde, que é biodegradável. Assim, será possível consumir hoje e contribuir para a preservação do amanhã.