O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 11/01/2021
O antropólogo Frantz Fanon, em seu estudo sobre psicopatologia concluiu que o sistema econômico vigente colabora com o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade. Nesse contexto, os avanços advindos da Terceira Revolução Industrial foram extremamente importantes, uma vez que permitiram os desenvolvimentos dos recursos para as manutenções da vida. No entanto, contribuíram para o excesso, visto que a obtenção de bens ficaram descontroladas. Logo, esse cenário enfreta graves problemas, como, por exemplo, a alta demanda do mercado, bem como a degradação da natureza.
A priori, é oportuno frisar que esse quadro de consumismo exacerbado está correlacionado com o capitalismo e a sociedade do espetáculo, retratada no livro de Guy D. Sob tal ótica, o escritor francês sobredito descreve que a humanidade criou um processo de ‘’ter para ser’’. Ou seja, a imagem do indivíduo é definida por aquilo que ele possui. Desse modo, o corpo social contemporâneo busca cada vez mais o desejo de adquirir, mesmo que seja de forma momentânea. Por certo, segundo a pesquisa realizada pela Vila Mulher, essa busca inalcançável pelo agrado social fez com que em dez anos ocorressem um aumento de quase 30% do uso de bens e serviços, o que representa em média trinta e um trilhões de dólares utilizados. Em suma, é nítido que essa situação inviabiliza o desenvolvimento de uma condição de existência sustentável.
A posteriori, vale salientar que toda a produção mundial depende diretamente de recursos naturais, por consequência, a destruição em massa do meio ambiente é intensificada anualmente. Nesse viés, o diretor-executivo do Greenpeace afirma que é necessário equilibrar a produção e o consumo, porém, é uma ação complexa, pois, exigem mudanças de hábitos. Embora as atitudes humanas afetem a eles próprios, a execução acelerada permanece. Portanto, em paralelo com a análise de Hanna Arendt com o conceito de ‘‘banalidade do mal’’, convém ressaltar que os cidadãos realizam as ações pensando em um fim maior e ignorando os impactos irreversíveis que iram causar. Todavia, é possível confirmar o que foi supracitado quando por ano um americano consome diariamente oitenta e oito quilos de recursos naturais, enquanto um europeu utiliza a metade deles, de acordo com a Vila Mulher. Em síntese, é notório que as pessoas degradam de forma tão natural a ponto de não perceberem que a persistência desse ritmo irá impedir que a futura sociedade possa existir.
Em face do exposto, é perceptível que a questão e complexa, mas existem meios para progredir. A princípio, a Organização das Nações Unidas deve mediante reuniões, que juntará todos os países, elaborar pautas a respeito do desenvolvimento humano sustentável. Os quesitos propostos devêm ser obrigatoriamente executados para que a homeostase seja alcançada e a humanidade sobreviva.