O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 10/12/2020
A Revolução Industrial, no século 18, deu início a um novo modelo de economia voltado na utilização desenfreada de recursos naturais e na produção em massa. Contudo, esses novos modos de lucrar exigiram que houvesse uma manipulação da população para consumir sem prepará-la para questionar quanto a necessidade dos produtos e se a produção desses considerou possíveis danos ambientais. Logo, para que haja um equilíbrio entre consumo e sustentabilidade, é necessário que o Estado busque educar sua população de forma crítica para que essa tenha um consumo consciente.
A priori, o Brasil sofre com a importação de produtos supérfluos desde o governo Dutra, na década de 40, o qual tinha o intuito de estreitar relações com os Estados Unidos e, ao longo da história brasileira, nunca houve uma preocupação com o ensino crítico de sua população para o consumo consciente. Aproveitando-se dessa vulnerabilidade do mercado consumidor, empresas produzem sem se preocupar com a sustentabilidade de seus produtos o que intensifica os impactos ambientais atuais. Tal qual o mito da caverna de Platão, em que os habitantes da caverna veem as sombras como a realidade, a população atual associa o consumo a felicidade e a uma falsa precisão.
Ademais, observa-se atualmente uma sociedade voltada para consumir desenfreadamente, quase sempre, influenciada por grandes veículos de comunicação, como as redes sociais e a televisão. Porém, as mídias fazem uso de estratégias manipuladoras em suas propagandas, as quais geram na sociedade falsas necessidades. Por conseguinte ao consumismo, existe a geração de lixo e os impactos ambientais causados por essa produção que não foram considerados pelo comprador e, segundo o sociólogo Zygmunt Baumann, o consumo consciente deve considerar valores éticos, como os impactos na sua produção e o descarte adequado dos produtos.
Portanto, para que seja alcançado um equilíbrio entre o consumo e a sustentabilidade, é imprescindível que o Estado invista ainda mais na educação e na formação de uma nação mais crítica e que considere o consumo consciente e saiba se desvencilhar da manipulação da mídia, isso por meio da valorização do ensino de filosofia e sociologia nas escolas, por parte do Ministério da Educação, além de proporcionar aos professores dessas matérias cursos sobre como desenvolver nos alunos o pensamento crítico e aplicá-lo no cotidiano. Além disso, é importante que o Ministério da Comunicação implemente medidas que estreitem a análise das propagandas nos veículos de comunicação, contribuindo para uma menor vazão de propagandas que tentam gerar no espectador a falsa necessidade do consumo em massa. Assim, é possível formar um país mais crítico no consumo e, por consequência, empresas dispostas a produzir e oferecer seu produto de forma sustentável.