O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 22/12/2020

Em 1972 foi realizada a Conferência de Estocolmo que teve como objetivo discutir as consequências da degradação do meio ambiente e debater soluções para sustentabilidade. No entanto, décadas depois, percebe-se que as ações antrópicas pouco se assemelham às discutidas em tal reunião. Hodiernamente, o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade é mais evidente e necessita de intervenções. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se fatores de ordem financeira e moral, bem como os padrões de consumo.

Decerto, a ausência de projetos ambientais economicamente viáveis contribui para a exploração demasiada do ambiente em busca de uma maior produtividade. Sob tal ótica, desde a Revolução Industrial -período de grande desenvolvido tecnológico- a visão humana acerca dos recursos naturais tornou-se mercantil. Nesse viés, o sociólogo Pierre Bordieu aborda a “Teoria do Habitus”, em que a sociedade possui padrões que são impostos e, posteriormente, naturalizados. Consoante a isso, é notável que a natureza converteu-se apenas num meio de obtenção de lucro e as práticas voltadas ao uso equilibrado não são consideradas. Consequentemente, a utilização sem precedentes e a falta de aplicabilidade de políticas públicas sustentáveis favorece o desequilíbrio ambiental hodierno.

Paralelo a isso, além dos fatores financeiros, vê-se que o consumismo e a alta produção de produtos não duráveis são aspectos importantes. De maneira análoga a esse cenário, o documentário “A Conspiração da Lâmpada”, dirigido por Cosima Dannoritzer, aborda o estabelecimento pré-definido da validade de um produto com o intuito de reduzir a vida útil e aumentar as vendas, artifício denominado obsolescência programada. Dessa forma, os consumidores tornam-se reféns da compra de produtos com data limite de funcionamento. Aliado a isso, a mídia ainda influência o consumo para movimentar o mercado mas, por conseguinte, estabelece uma demanda de recursos acima do suportável.

Destarte, frente a provectos fatores financeiros e sociais, a relação entre consumo e desenvolvimento sustentável tem se mostrado incompatível. Portanto, o Ministério do Meio Ambiente, como instância máxima dos aspectos ligados aos recursos naturais, deve adotar estratégias no tocante a conciliar o lucro e o uso controlado do meio. Essa ação pode ser feita por meio de projetos ambientais eficientes que, além do aspecto ambiental, também possam manter uma lucratividade aceitável, a fim de possibilitar a implantação, reduzir a visão mercantil da natureza e os danos oriundos da produção. Ademais, cabe ao Ministério da Economia, órgão de maior jurisdição financeira, estabelecer padrões de duração e realizar campanhas de alerta, com o fito de reduzir a obsolescência programada e consumismo. Quiçá, a Conferência de Estocolmo será legitimada e a sustentabilidade adquirida.