O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 08/01/2021

No final do século dezenove, durante a primeira revolução industrial ocorrida na Inglaterra, um fenômeno nomeado “London fog” assustava a população. Durante os invernos, uma fumaça tóxica escura decorrente da intensa queima industrial do carvão tomava a cidade. Analogamente, na modernidade, as tendências consumistas crescem exponencialmente, seguidas de intensa poluição advinda da produção, descarte e desmedida extração de recursos, criando um desequilíbrio ambiental danoso que urge por mudanças.

A princípio, deve-se destacar que há um crescimento constante na taxa de compra e descarte de bens de consumo, principalmente eletrônicos. Assim, o fenômeno contemporâneo da obsolescência programada (em que um produto eletrônico tem uma data certa e breve para quebrar ou se tornar desatualizado) advém dos novos ideais de consumo desenfreado, criados e perpetuados por empresas em propagandas. De acordo com Marx, “a produção não cria só um objeto para o sujeito, mas também um sujeito para o objeto”, o que demonstra a lavagem cerebral em massa que condiciona essas tendências nocivas.

Por conseguinte, o descarte de polímeros não naturais (plásticos) e partes eletrônicas é altamente poluente, já que leva milênios para ser decomposto e contém metais pesados. De acordo com a OMS, esses metais são extremamente danosos para o meio ambiente, podendo degradar hábitats, intoxicando seres vivos que vivem por perto. Ademais, o perigo se acentua com a falta de espaço para dispor o lixo, o qual, dado o consumismo, é produzido rapidamente em grandes quantidades e acaba em lixões à céu aberto, usados por 50,8% dos municípios brasileiros (IBGE), o que facilita o acesso de pessoas e animais à conteúdo tóxico e libera poluentes para a atmosfera.

Em vista dos fatos mencionados, para restaurar o equilíbrio entre consumo e sustentabilidade, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente invista em campanhas midiáticas que destaquem a importância do consumo consciente e reciclagem para a população e incentive as administrações municipais ao uso de aterros sanitários, sendo estes menos danosos à natureza. Feito isso, será possível se viver com mais qualidade de vida e despreocupação com a ocorrência de eventos como os da Londres vitoriana.