O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 15/01/2021
No curta-metragem “A história das coisas”, é retratado os impactos dos insumos produzidos nas grandes indústrias, além de especificar a jornada da exploração de recursos naturais, da produção de coisas, até a etapa final : venda e consumo do produto. Assim como no curta, a realidade é evidente no cotidiano dos indivíduos, uma vez que, o consumismo é parâmetro de felicidade e riqueza, porém, em ação excessiva, consoante ao psicanalista Erich Fromm, “ A atitude inerente ao consumismo é a de engolir o mundo todo. O consumidor é a eterna criança de peito berrando pela mamadeira.” Desse modo, é possível inferir que a racionalidade do consumista não é levada em conta, em vista de saciar apenas o seu anseio, por conta disso, fatores como a origem do produto e a perda da biodiversidade, não importa para esse cidadão, o que ocasiona no desequilíbrio entre o consumo e sustentabilidade.
Indubitavelmente, um dos principais elementos de uma sociedade humana é a natureza e a sua variedade biológica. Por meio desses subsídios é possível a criação de roupas, sapatos, bolsas, celulares e entre outros, o que contribui para a construção de riquezas e fortalecimento da economia. Porém, as perdas naturais não são contabilizadas nem ficam a amostra para que os seus utilizadores tenham a noção do quão devastador são as indústrias. Outrossim, o conceito “Água virtual”, criado pelo geógrafo Tony Allan, representa o comércio indireto dos gastos de água dos produtos, por exemplo, um único smartphone genérico consome em sua produção 12.760 litros de água, segundo o relatório Mind your Step. Assim, se houvesse o acesso a esses dados em cada embalagem da mercadoria, quiçá, os indivíduos teriam a ciência do quanto um simples celular consome os recursos hídricos.
Outrossim, não é apenas o bioma natural que sofre com isso, mas as pessoas, que cada vez mais, estão com o ego engrandecidos ao finalizar uma compra. A partir de uma análise metódica desse desejo doentio, de acordo com o filósofo Karl Marx, para que esse incentivo ocorresse, criou-se o fetiche sobre a mercadoria constrói-se a ilusão de que a felicidade seria encontrada a partir da aquisição de um produto. Nesse sentido, é mister que medidas sejam implementadas para solucionar essa problemática, tratando o consumo como falta de racionalidade na figura da sustentabilidade.
Portanto, cabe ao Estado em conjunto com as indústrias, com a finalidade de ampliar o senso crítico ao democratizar o acesso ao crescimento sustentável, promover a inserção de tabela de gastos de recursos hídricos e naturais, como em móveis, em eletrodomésticos, em materiais tecnológicos e entre outros. Essa iniciativa deve ser realizada por meio do auxílio de empresas privadas relacionadas ao comércio, que devem oferecer toda informação necessária. Dessa forma, atenuar-se-á a quebra do sistema evidenciado no curta “A história das coisas”, bem como a efetividade da consciência coletiva.