O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 30/04/2021

Com a difusão do ideal do “American Way of Life” - conceito referente à valorização demasiada da posse de bens -, a partir da primeira metade do século XX, o consumismo passou a ser mais persistente na sociedade moderna. Contudo, tal fator se mostra preocupante quando potencializa a exploração de recursos naturais de forma prejudicial à sustentabilidade do planeta, como ocorre atualmente. A resolução da problemática tem como desafios a prática da obsolescência programada e a normalização do alto padrão de consumo.

Nesse contexto, observa-se que a intencional baixa durabilidade de bens de consumo contribui para a manutenção do cenário negativo atual. Esse fator é evidenciado pela pesquisa divulgada no periódico Gazeta do Povo, a qual aponta que 93% dos consultados concorda que os eletrônicos atuais duram menos que os do passado. Sendo assim, a compra e a produção de novos produtos se fazem necessárias novamente em um menor período de tempo, o que exige a exploração excessiva de recursos.

Ademais, a naturalização da atual postura da sociedade em relação ao padrão de compra se mostra um entrave. Consoante isso, tem-se a teoria do sociólogo Galles Lipovetsky, que introduz o conceito de “sociedade do hiperconsumo” para definir o comportamento predominante de “consumir muito, de tudo e descartar”. A partir disso, conclui-se que o alto índice de consumo relaciona-se com a grande produção de lixo, que impacta em prejuízos ambientais, como a poluição.

Portanto, urge que a indústria de bens de consumo potencialize a prática da logística reversa, ou seja, medidas referentes ao reaproveitamento de resíduos úteis para a produção de novos produtos, por meio da distribuição de postos de coleta de peças desses produtos em lugares com alto fluxo de pessoas. Assim, atenuar-se-á a necessidade de exploração de recursos naturais. Além disso, é necessário que a mídia incentive a economia do compartilhamento, por intermádio de campanhas publicitárias acerca de plataformas de revenda de bens usados, visando reduzir a geração de lixo. Dessa forma, estabelecer-se-á meios de consumo sustentável.