O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 28/05/2021
Na obra cinematográfica, “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, é retratado por meio da personagem Becky, a dificuldade de controlar o hábito compulsivo de comprar. Contudo, observa-se, na contemporaneidade, a vivacidade do poder de compra e seu desesperado retrato da sociedade em consumir por status. Nesse sentido, surge o posicionamento no comando da sociedade, bem como a indústria cultural como fonte da disparidade e suas objeções em volta dessa problemática.
Deve-se pontuar, de início, a estratificação política acerca do desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade, uma vez que quanto maior a sua condição monetária, maior será a sua demanda pelo poder de compra, ocasionando o afastamento de um possível aproveitamento sustentável. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, “Não se pode escapar do consumo: faz parte do metabolismo! O problema não é consumir, é o desejo insaciável de continuar consumindo”. Por analogia, nota-se que a estrutura do corpo social relaciona-se na realização de desejos, corroborando uma identidade, como: roupas, acessórios, músicas e lazer. Desse modo, verifica-se que a consumação está coagida pela busca da aceitação da sociedade, mesmo que para isso, seja efetivada de forma inconsequente.
Outrossim, é necessário enfatizar a contribuição da indústria cultural em torno da desarmonia entre a demanda e o avanço sustentável, posto que o capitalismo nutre apenas o lucro e sua concentração de poder, visando atender uma afirmação social impulsionada por propagandas apelativas, compra-se desenfreadamente. Segundo Adorno e Horkheimer “O sistema capitalista, por meio da indústria cultural, implanta a necessidade de consumo nas pessoas. Vendendo uma falsa felicidade que desperta um desejo compulsório de consumo”. A partir desse ponto, percebe-se como algumas pessoas necessitam se autoafirmar perante suas relações sociais, cedem a essa influência, buscando atingir satisfação pessoal e alto prestigio na sociedade, mesmo que isso o leve a destruição da matéria-prima.
Entende-se, portanto, que o consumo nada mais é que o influenciador de determinadas mercadorias, mas também torna-se minimamente previsíveis o comportamento social e político das massas. Assim sendo, é responsabilidade do Ministério Público, por intermédio das prefeituras municipais, viabilizar verbas do orçamento público para projetos que possuam a finalidade de introduzir os recursos sustentáveis na sociedade, além de aplicar campanhias de abrangência nacional junto às emissoras abertas de televisão, com intuito de reduzir gradativamente o vício do consumismo. Em suma, cabe ao Ministério da Educação, por meio das escolas, implantar na grade didática do ensino médio, mecanismos de informações como: palestras e oficinas de educação financeira, a fim de conscientizar o uso do dinheiro como função de auxiliar no cotidiano e não como fundamental.