O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 14/06/2021
O “Mito da caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade, visto que o consumo de bens no Brasil acontece de forma exagerada e irresponsável, levando à exploração excessiva dos recursos naturais e, consequentemente, interferindo no equilíbrio estabelecido do planeta. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a falta de conhecimento e a lenta mudança na mentalidade social.
Primeiramente, é preciso salientar que a falta de conhecimento é uma causa latente do problema. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Diante dessa perspectiva, se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre o consumo consciente, sua visão será limitada. Segundo pesquisa divulgada pelo Ministério do Meio ambiente, a maioria dos brasileiros sabe pouco ou nada sobre “consumo sustentável”, realidade preocupante que dificulta a prevenção e a redução dos impactos ambientais causados pelos seres humanos.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do consumo desenfreado é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que muitos brasileiros relacionam o status social com a quantidade de bens de consumo que o indivíduo possui. Diante disso, nota-se que muitas pessoas compram de forma compulsiva sem pensar nas consequências para o meio ambiente, o que torna sua resolução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a importância do consumo consciente, bem como incentivar a adoção de práticas sustentáveis no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e dos profissionais da área de meio ambiente. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.