O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 07/07/2021

Desde 1987 o desenvolvimento sustentável, termo cunhado pela Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Organização das Nações Unidas, tem se tornado uma pauta cada vez mais discutida, já que procura harmonizar o impasse entre desenvolvimento econômico e conservação ambiental. Ainda assim, mesmo com tamanho foco, é notável que o tema não é algo consolidado na sociedade, visto que há grande desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade, causado pela ambição capitalista e consumação não sustentável.

Em primeiro lugar, é preciso destacar que a premissa capitalista de obter a maior lucratividade possível desconsidera a necessidade de proteção e uso consciente do meio ambiente. Isso ocorre principalmente por conta da produção em larga escala, visando influenciar o consumo do mercado e o enriquecimento das grandes empresas, que muitas vezes tem apoio do Governo, uma vez que o país enriquece financeira, mas empobrece no quesito natureza. Assim como diz Gilberto Gil na canção “Refloresta”, lançada em 2021, não basta apenas preservar o pouco da natureza que restou, já que a derrubada, nesse sistema, é presumível. Portanto, é essencial que o respeito com o meio ambiente seja construído, para assim amenizar o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade.

Além disso, em segundo plano, cabe discutir a cegueira da sociedade, que muitas vezes segue um consumo não sustentável, ou seja, escolhem produtos que utilizam bastante recursos naturais em sua confecção, não podem ser reutilizados ou reciclados ou não garantem empregos decentes aos produtores. Isso ocorre, sobretudo, por causa das inúmeras propagandas que induzem o consumidor a comprar desenfreadamente, sem se preocupar com o que acontece com o produto até chegar em mãos. Dessa forma, assim como mostra o documentário “Minimalism”, disponível na Netflix, é necessário repensar a forma de consumir, tendo em vista reduzir o consumo exagerado, atentar-se ao precedente da produção e a maneira de descarte, visando o equilíbrio entre o consumo e a sustentabilidade.

Sendo assim, é indispensável que medidas sejam tomadas para que consumo e sustentabilidade sejam aliados. Nesse cenário, cabe ao Governo Federal, através do Ministério do Meio Ambiente, junto a ONG’s ambientais, como a SOS Amazônia, enrijecer as leis ambientais por meio do aumento da fiscalização e multas aos produtores que não seguirem os pilares da sustentabilidade, além de conscientizar a população com campanhas educacionais em escolas, rádio e televisão. Isso deve ocorrer a fim de equilibrar consumo e sustentabilidade, visando um estilo de vida melhor que não prejudique imensamente o planeta, pois assim como diz Gilberto Gil, é hora de reflorestar.