O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 13/07/2021

Em 1988, representantes do povo - reunidos em Assembleia Constituinte - instituíram o Estado de Direito, a fim de garantir o equilíbrio ambiental como valor de uma sociedade fraterna. Todavia, o desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade impede que o direto constitucional seja aplicado na prática. Com efeito, a solução do problema pressupõe que se combata a cultura de excessos, bem como a omissão do Estado.

Diante disso, aquisições em exagero determina a permanência do problema. A esse respeito, Karl Marx - filósofo alemão - em seu conceito Fetichismo de Mercadoria defende que existe uma adoração empregada às mercadorias, assim um objeto inerte torna-se animado e humanizado. Nesse contexto, o comportamento dos brasileiros se relacionam à realidade consumista denunciada por Marx, visto que a população realiza compras desnecessárias em excesso e de maneira inconsciente, que demanda muitos recursos naturais para a produção industrial, ocasionando dessa forma uma relação de descuido do homem com a natureza e favorecendo a prática de gastos irresponsáveis. Logo, enquanto a sociedade manter o interesse consumidor a conscientização socioambiental não será efetiva.

Ademais, em 1992, a Organização das Nações Unidas promoveu um evento conhecido como “Cúpula da Terra” e elaborou a Política da Sustentabilidade - reduzir, reutilizar, reciclar - com objetivo de estimular o desenvolvimento sustentável. Contudo, a indiferença estatal com esse conceito representa uma utopia à meta proposta pela ONU, evidenciando, com isso, um Estado incapaz de promover políticas públicas ambientais, ao mesmo tempo em que se omite ante os impactos causados ao meio ambiente vibializados pela sociedade consumista, e também, pelas grandes empresas - agronegócio, mineradoras. Dessa forma, não é razoável que a inércia governamental comprometa o futuro da nação com um dos mais graves dilemas: o desequilíbrio ambiental.

É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para combater a instabilidade entre consumo e avanço suportável. Nesse sentido, o Governo - responsável pelos interesses da administração federal - deve desenvolver programas ecológicos, por meio de ações comunitárias e rigorosas fiscalizações capazes de solucionar a cultura de excessos. Essa iniciativa teria a finalidade de resolver a inerte governança e de garantir que o Brasil cumpra com as normas previstas na Constituição Federal.