O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 21/07/2021

Desde 1972, países de todo o mundo promovem reuniões com o objetivo de criar técnicas para reduzir a destruição ambiental. Dentre essas, uma das mais importantes, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, criou uma estratégia de ação conhecida como “os 3 R’S” - Reutilizar, Reciclar e Reduzir. Contudo, o resultado esperado não se concretizou, devido a diversos fatores, o evidente desequílibrio entre o consumismo e a tentativa de sustentabilidade é o principal deles.

Nesse contexto, vale citar o “fetichismo da mercadoria”, conceito criado por Karl Marx,  que explica o fato de as pessoas tornarem o produto um objeto de adoração que transcende a sua utilidade. Com base nisso, explica-se o consumismo e a necessidade da troca de um artefato, antes mesmo de este estragar ou deixar de funcionar, pois o que é levado em consideração não é a eficiência da mercadoria, e sim o valor - quase que divino - associado a ela.  Dessa forma, com o aumento da venda, tem de haver o aumento na produção, o que significa maior exploração de matéria prima e, maior lançamento de gases poluentes lançados na atmosfera terrestre pelas indústrias.

Além disso, a descartabilidade dos produtos, resultante do consumismo, é outro grande problema devido ao fato de no Brasil, apesar de ser ilegal, 60% das cidades ainda fazerem uso dos lixões a céu aberto, de acordo com pesquisas da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento de Resíduos Sólidos e Efluentes. Sendo assim, vale lembrar que o grande problema dos lixões  é que o descarte não é feito da maneira adequada, sem qualquer preparação e sem a impermeabilização do solo, o chorume se infiltra e acaba por contaminar os lençóis freáticos - a camada superior das águas subterrâneas, de onde se extrai boa parte da água para consumo e produção humanos.

Portanto, cabe ao Poder Legislativo a reformulação das penas, de forma a deixá-las mais severas  para os prefeitos das cidades que ainda fazem uso dos lixões, por meio da instituição de multas mais altas e o aumento rigoroso da fiscalização, buscando restringir ao máximo a quantidade de depósitos de resíduos a céu aberto. Além disso, a mídia deve promover propagandas, em suas diversas plataformas, para conscientizar e ensinar de forma didática à população a fazer a sua parte, a fim de reduzir o consumo na média geral. E, somente assim, o objetivo buscado pelos países desde 1972 poderá, finalmente, ser alcançado.