O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 08/08/2021
“Tem um lugar para a gente viver, para a gente morar, mas tem que cuidar dele”. Nesse trecho da música “Planeta Terra”, de 1991, da cantora Xuxa, evidencia-se, há 3 décadas, um apelo à população para que preservem a natureza — algo que ainda se mostra extremamente necessário. Nesse sentido, em razão dos malefícios do capitalismo e de uma educação deficitária, emerge um grave problema: o desequilíbrio entre o consumo e a sustentabilidade.
Diante desse cenário, vale destacar que a estigmatização do descarte desenfreado é algo que corrobora o aumento de lixo. Sob esse ângulo, Karl Marx — revolucionário socialista — traz o conceito de fetichismo das mercadorias, no qual os indivíduos, em busca da aceitação social, são influenciados a adquirir cada vez mais produtos. À vista disso, ao se observar o atual panorama mundial, percebe-se que o postulado de Marx procede, uma vez que, por causa de um sistema bastante voltado à obtenção desenfreada de bens materiais, objetos consideravelmente novos são vistos como obsoletos, já que a fabricação de modelos novos surgem todos os anos. A exemplo disso, podem ser citadas as empresas de aparelhos celulares, as quais, se não mudarem esse contexto, terríveis consequências podem vir à tona, pois, segundo o Greenpeace, hoje, consome-se 1,5 vezes o que o planeta pode oferecer.
Ademais, é importante salientar que a baixa qualidade do ensino é outro motivo à perpetuação da falta de um mundo sustentável. Nesse viés, conforme Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob esse ângulo, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Sendo assim, no que tange à indiferença do povo acerca do próprio meio ambiente, nota-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, como o desequilíbrio ecológico, visto que nunca abordou — e ainda não aborda —, de modo específico, esse conteúdo nas salas de aulas. A esse respeito, o grande aumento do volume de lixo e os riscos que se originam à fauna e à flora poderiam ser amplamente discutidos nas disciplinas de Biologia e de Geografia. Assim, um possível caminho para mudar esse panorama é usar o raciocínio de Kant: fazer os indivíduos crescerem intelectualmente a partir de um ensino de rigor.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país —, com a mídia, deve criar um evento pedagógico, o qual aborde, de maneira científica, os principais entraves da atualidade, por exemplo, os males do consumismo. Nesse contexto, tal ação deve ocorrer por meio da adição de uma nova matéria na grade escolar dos alunos, assim como em oficinas virtuais nas redes sociais, a fim de tornar o corpo social mais engajado na luta por um ecossistema mais saudável. Dessa forma, espera-se fazer a sociedade acatar o apelo da música “Planeta Terra”.