O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 17/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico livro “O triste fim de Policarpo Quaresma”, sempre teve como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o desequilíbrio entre o consumo e a sustentabilidade torna o país ainda mais distante do imaginado pelo sonhador personagem. Esse cenário antagônico é fruto tanto da exploração crescente dos recursos naturais, quanto do incentivo ao consumismo. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de pleno funcionamento da sociedade.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a desarmonia entre consumo e sustentabilidade derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável para garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Assim sendo, devido à falta de atuação das autoridades, o aumento da exploração dos recursos naturais decorrem da economia capitalista que exige um alto nível de produção e consumo, havendo como consequência impactos negativos ao plano ecológico global. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar o incentivo ao consumismo como produtor do problema. De acordo com a pesquisa do G1, cerca de 76% da população brasileira não praticam o consumismo consciente. Partindo desse pressuposto, com a inovação da tecnologia no desenvolvimento de aplicativos de compras online juntamente com o mercado de influenciadores digitais, têm possibilitado o consumo excessivo em decorrência da praticidade, impulsão e facilidade de obter determinado produto. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a influência ao consumismo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Meio Ambiente, através de uma reunião, possa investir e criar leis de incentivo à utilização de produtos e serviços menos intensivos em energia e recursos naturais, além de desenvolver estratégias que levem a um debate sobre as possíveis mudanças a fim de diminuir o consumismo. Desse modo, atenuar-se-à, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do desequilíbrio entre o consumismo e a sustentabilidade, a coletividade alcançará o bem-estar da população, tal como afirma Thomas Hobbes.