O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 20/08/2021
A olimpíada 2020, sediada em Tóquio no ano de 2021, trouxe à tona a importância da sustentabilidade, fazendo uso, pela primeira vez na história, de camas produzidas com papelão e pódios confeccionados com plástico, ambos reciclados, além de medalhas feitas a partir de lixo eletrônico, e de carros elétricos. Essas inovações levaram o mundo inteiro a repensar a urgência de se satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias exigências. Nesse aspecto, o consumo exacerbado e irresponsável, atualmente, está muito relacionado à busca pelo bem-estar e pelo prazer, fato que leva a danos irreversíveis ao meio ambiente.
Á vista disso, conforme a teoria da “Sociedade do Desempenho”, proposta por Byung Chul-Han, filósofo sul-coreano, devido ao modelo capitalista de produção vigente, os indivíduos se sentem muito pressionados a entregar alto desempenho em âmbitos variados da vida, como social, laboral e familiar, tendendo a sucumbir. Assim, a aquisição de bens materiais diversos, geralmente desnecessários, é vista como uma verdadeira “válvula de escape” a todas as cobranças, sendo essa uma preocupante forma de se buscar o bem-estar diante das dificuldades, dado que a natureza sofre diretamente com esse cenário.
Dessa forma, o consumo exorbitante vai contra o conceito de consumo sustentável, visto que provoca um grande desflorestamento para produção de inúmeros itens e produz quantidade abundante de lixo, que geralmente não é descartado de forma correta, podendo chegar aos oceanos e provocar prejuízos à vida marinha, e aos lixões, contribuindo com a concentração de animais transmissores de doenças e com a produção de gases de efeito estufa, como o metano (CH4). Além disso, segundo a bióloga e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, o uso desmedido dos recursos naturais, como a água, para abastecer o mercado com novos produtos, corrobora com as chances desses importantes bens naturais se tornarem escassos para as gerações futuras.
Portanto, com o intuito de motivar o consumo responsável e crítico, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com ONGs relacionadas às causas ecológicas, promova oficinas de discussão e palestras informativas, voltadas para públicos de diferentes faixas etárias. Esses encontros devem ser mediados por profissionais da área, como biólogos, em escolas e em grandes empresas, por exemplo, que evidenciem os riscos ambientais relacionados às aquisições exacerbadas e negligentes, e a importância de ações como a separação do lixo, valorização de instituições sustentáveis e a necessidade de se reciclar e reutilizar, para que as próximas gerações tenham condições de viver de forma saudável.