O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade
Enviada em 02/10/2021
Nas últimas décadas, surgiu um movimento chamado Minimalismo, o qual relaciona liberdade e qualidade de vida a ter menos posses. Isso, em resposta ao rumo tomado pela sociedade consumista, de forma a estabelecer um limiar entre consumir, ser feliz, e ser sustentável. Em contrapartida, o modelo capitilista passa a transgredir esse pensamento, na medida em que existe-se na contemporaneidade um desequilíbrio entre consumo e sustentablidade. Dessa maneira, o problema vê-se refletido não só na configuração sistemática de produção, mas também, por conseguinte, no ritmo insustetável da demanda e da consumação tanto para o meio ambiente quanto para o próprio homem.
Nesse cenário, a princípio, o modelo adotado pelo corpo empresarial de produtividade está atrelado ao conceito chamado de obsolescência programada, elaborado por Alfred Sloan, ex-presidente da General Motors. Nessa lógica, tal ideia possui pretensões maquiavélicas, ao passo que instiga o consumo compulsório em detrimento do meio ambiente e das reservas naturais, justamente porque o produto comprado possui predisposição a, após um certo período, tornar-se obsoleto, desatualizado ou apresentar problemas de funcionamento. Desse modo, é perceptível que essa prática estimula o consumismo em prejuízo da sustentabilidade, quando permite que o indivíduo inconscientemente adiquira constatemente novos itens e que esse ignore quaisquer possibilidades de reutilização ou qualquer preocupação com a origem do que está a utilizar.
Ademais, consequentemente, a sociedade hodierna, em seus segmentos coletivo e individual, se distancia gradativamente da consciência de consumo, de forma a desprezar compulsivamente quaisquer interjeições benéficas para si e para o meio. Nesse âmbito, pela ótica do consumismo insustentável, aponta-se o livro “Vida Para Consumo”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o qual aborda a ilusão da felicidade materialista, encaminhada pelo mercado, de forma que quando o sujeito pensa que a atingiu, o caminho para alcançá-la fica ainda mais longo. Logo, esse devaneio se reproduz na esfera psicológica da pessoa, de forma mais aparente, e na ecológica, com a degradação da natureza, de maneira tão alarmente quanto, mas postergada.
Portanto, para a resolução dessa adversidade, faz-se mister a ação da iniciativa privada na elaboração de uma política de logística reversa, na qual os produtos podem ser devolvidos na loja, para serem reutilizados ou, de alguma maneira, reciclados, de modo a retornar em benefícios a quem faz a devolução — como desconto na compra de outro produto que receba o mesmo tipo de tratamento—, a fim de combater a obsolescência programada e de presevar o meio ambiente. Assim, torna-se-á possível a existência de um corpo social não precisamente minimalista, mas tão consciente quanto.