O desequilíbrio entre consumo e sustentabilidade

Enviada em 26/04/2022

Desde o limiar da Idade Moderna, a tendência mercantilista dos países europeus prenunciava o novo estilo de vida da sociedade: consumista. Apesar de fundamentar o capitalismo atual, permitindo o desenvolvimento econômico, esse comportamento reforça o vínculo predatório da espécie humana com a natureza, sendo necessário, portanto, instituir medidas para a ampliação do consumo sustentável. Todavia, no Brasil, tais ações de sustentabilidade são fragilizadas devido à base educacional lacunar e à negligência midiática.

De fato, a questão social acerca do problema remete à insipiência da população que, refém de um sistema educacional precário, desconhece o ideal de sustentabilidade. Consoante ao filósofo Immanuel Kant, “O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.”. Assim, constitui-se um paralelo com o comportamento consumista ao passo que as escolas não garantem o ensino de cidadania e responsabilidade ecológica às crianças desde a tenra idade. Consequentemente, há a manutenção dos costumes anacrônicos de desperdício, acúmulo de lixo e poluição, sobretudo, nas áreas maginais de grandes centros urbanos.

Ademais, é lícito postular que a mídia corrobora a construção de uma mentalidade consumista na sociedade. Nesse sentido, os sociólogos Adorno e Horkheimer dissertam sobre a “Indústria Cultural”, teoria que explicita a relação entre o desejo assíduo e continuo do indivíduo por bens materiais e o capitalismo de mercado. As propagandas, desse modo, são responsavéis por estimular o interesse e o consumo em detrimento da conscientização ecológica. Por conseguinte, intensifica-se as problemáticas intrinsecas ao processo industrial como o desmatamento e o uso de combustíveis não renováveis.

Destarte, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Assim, o Ministério da Educação deve propor um plano de reforma educacional que, por meio de palestras lúdicas sobre sustentabilidade, promova a conscientização das crianças acerca dos hábitos nocivos ao equilíbio ecológico. Além disso, as palestras devem estimular o senso crítico dos estudantes em relação às propagandas, com o fito de limitar a influência midiática nos costumes e nos desejos do indivíduo, reduzindo, portanto, o consumo desmedido promovido pela “Industria Cultural”. Dessa forma, o Brasil poderá superar os desafios que impossibilitam o desenvolvimento concreto de uma sociedade ecologicamente correta.