O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 22/10/2019

No seriado “Dark”, da Netflix, observa-se a história de Ulrich Nielsen, um inspetor de polícia que convive com a dor causada pelo desaparecimento de seu filho mais novo. Ao longo da trama, o personagem inicia uma investigação independente em busca de novas pistas e respostas que indiquem o paradeiro de seu familiar. Do mesmo modo, na realidade brasileira, o drama das pessoas desaparecidas é um problema social grave, que se intensifica devido à inexistência de políticas públicas para integrar diferentes canais de comunicação nas investigações em andamento e ausência de estímulos para ensinar a população a se proteger e evitar essa situação.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a falta de ações governamentais para incluir a mídia no auxílio aos inquéritos policiais dificulta a superação do problema. Consoante pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Comunicação Social do Governo Federal, 89% das pessoas utilizam a TV e a internet para se informarem sobre notícias e atualidades. Desse modo, a ausência de políticas públicas para divulgar nas rádios ou canais televisivos informações sobre pessoas desaparecidas, desperdiça um expressivo potencial de alcance comunicativo que poderiam ser utilizado para estimular denúncias e adquirir novas pistas.

Ademais, convém frisar que a carência de projetos que orientem, sobretudo pais e responsáveis, a ensinarem seus filhos sobre cuidados com estranhos também interfere na problemática. As crianças, segundo o filósofo John Locke, podem ser consideradas folhas em branco que, por não terem o sendo crítico desenvolvido, são mais suscetiveis a manipulações externas. Assim, devido a não orientação precoce sobre os perigos da interação com estranhos, esses individuos vivenciam uma infância vulnerável a maldade alheia e, posteriormente, uma vida adulta carente dessa visão que compreende a relevância da prevenção de desaparecimentos na sociedade brasileira.

Infere-se, portanto, que solucionar o drama das pessoas desaparecidas é de extrema relevância. Sendo assim, cabe ao Governo Federal, encaminhar para o Congresso Nacional um projeto de lei que torne obrigatório a reserva de um horário dentro das programações televisivas e transmissões de rádio para informar a população sobre desaparecimentos e solicitor colaboração com as investigações. Além disso, com o objetivo de incluir também a sociedade civil nessa atuação coletiva, o Estado deve oferecer palestras gratuitas para que pais e profissionais da educação aprendam a inserir de maneira eficiente noções de preservação e cuidado pessoal dentro do ambiente escolar e familiar. Somente assim será possível mobilizar toda a sociedade na restrição de sumiços repentinos à ficção.