O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 26/10/2019
O documentário do desaparecimento de Elizabeth Taylor - uma menina que foi sequestrada de dentro da sua casa e ficou desaparecida por 9 meses - retrata a busca incessante da família e o drama sofrido por eles na ocasião do crime. A narrativa que teve um final feliz não se assemelha ao que ocorre no Brasil, pois muitas famílias diariamente convivem com a realidade de não ter respostas e soluções para a ausência do ente querido. Diante disso, é necessário analisar as causas dessa cultura de negligência por parte do Estado com o intuito de buscar soluções para o problema.
Convém ressaltar, a princípio a omissão do Estado com a Constituição Federal de 1988 que no artigo 144º firma o compromisso de garantir a segurança da população. Ocorre que nos casos mais graves, que são aqueles de desaparecimento forçado ocasionados por redes de pedofilia, tráfico de órgãos e exploração humana ou sexual, o Estado se mostra ineficiente, visto que sequer existe delegacias especializadas para tratar dessa questão. Tal fato é incoerente a um Estado Democrático de Direito, em que o poder público persiste no não cumprimento do acordo consolidado na Carta Magna, de modo a sujeitar sua população a enfrentar um grave drama social: o desaparecimento de pessoas. Somado a isso, é importante citar que a ineficácia das investigações sujeita os familiares a conviverem com possíveis lesões psicológicas que podem perdurar anos. Nesse viés, e consoante ao pensamento do psicanalista Sigmund Freud, o luto faz parte do processo de aceitação da perda de uma pessoa amada e é importante no sentido de auxiliar seus entes a se reconstruírem após a perda. Entretanto, no caso de um desaparecimento a família não passa por esse processo de luto, em virtude de sempre existir a possibilidade do reencontro. Nesse contexto, enquanto a inércia do Estado persistir, os familiares terão que lidar com essa fatalidade que os coloca numa posição de adoecimento por conta da depressão e melancolia.
Diante dos fatos supracitados, é necessário que o Governo se articule com o Ministério da Justiça e promova estratégias de combate e prevenção à problemática. Essa medida pode ser feita por meio do desenvolvimento de uma rede de tecnologia integrada nacionalmente com delegacias especializadas, aliado a um banco de dados atualizado de acesso a todos os agentes e órgãos públicos federais. Além disso, deve-se ampliar as campanhas midiáticas bem como, ter a disposição canais online com centrais de denúncias exclusivas, os quais a população possa coadjuvar no processo. Assim, com a efetivação dessas ações, a cultura da negligência será desconstruída, de modo a garantir as prerrogativas firmadas na Constituição para a corpo social brasileiro.