O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 27/10/2019

Na obra ‘‘O quinze’’ de Rachel de Queiroz, retrata-se o drama de uma família nordestina que abandona suas terras em prol de melhores condições de vida no Rio de Janeiro. Contudo, seu filho mais velho, Pedro, desaparece e provoca grande lástima entre seus pais e irmãos. Nesse contexto, o drama das pessoas desaparecidas está em foco no Brasil contemporâneo, assolando inúmeras famílias pela nação. Desse modo, é perceptível uma ausência de coordenação entre os órgãos de segurança pública no país, que aliado ao escasso amparo psicológico ofertado para a população, contribui não somente com o atraso das investigações, como também com a angústia dos familiares.

Em primeiro momento, a cada 45 minutos, 22 pessoas desaparecem no Brasil, afirma o Fórum Nacional da Segurança Pública, ou seja, é notório a crescente abrangência dos casos e a necessidade imediata de priorizar a questão. Nesse sentido, 22 famílias encontram-se desamparadas por dia, sem auxílio psicológico adequado nas delegacias responsáveis por notificar o desaparecimento. Por conseguinte, o desespero e a aflição dos parentes além de serem prejudiciais para a saúde mental dos indivíduos, impede melhor apuração dos polícias, que dependem de informações verossímeis e detalhadas para uma eficaz investigação.

Ademais, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade é como um grande corpo funcional, assim, deficiências em áreas isoladas comprometem o funcionamento de forma integral. Dessa maneira, a precária comunicação entre os sistemas policias favorece a desorganização e a ausência de unidade, quesitos que prorrogam a solução de casos de desaparecimento. Além disso, os casos de sumiço geralmente estão relacionados ao tráfico de órgãos, prostituição e trabalho escravo. À vista disso, a coesão entre os níveis federais, estaduais e municipais de Segurança Pública é imprescindível para a maior velocidade na apuração de ocorrências, visto a gravidade do cenário.

Faz-se necessário, portanto, uma união entre Ministério da Justiça e prefeituras para mitigar a problemática. Primeiramente, os prefeitos devem ofertar em seus municípios assistência psicológica gratuita para os familiares e conhecidos das vítimas de desaparecimento. Nesse viés, com o auxílio de psicólogos capacitados, pode-se formar grupos de apoio visando o diálogo entre aqueles que estão na mesma conjuntura, a fim de despertarem o sentimento de acolhimento e obterem assistência profissional. Não obstante, cabe ao Ministério da Justiça realizar uma conexão entre os cadastros de desaparecidos, relatos e evidências em um só local, com a assistência de computadores que atuem de maneira simultânea e sincrônica. Dessa forma, os diversos órgãos de segurança permanecerão coesos no processo de busca. Somente assim, espera-se que Pedro, um dia, retorne à sua família.