O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 27/10/2019
A série televisiva “Dark”, originalmente alemã, retrata, em um de seus episódios, o caso de Mikkel: um garoto da cidade de Winden que, de forma misteriosa, desaparece da sua localidade, fazendo com que o corpo policial realize constantemente a sua procura. Nesse sentido, sobretudo fora do universo ficcional, no Brasil, os índices do número de pessoas desaparecidas crescem exponencialmente, ora pela negligência legislativa, ora pelo despreparo cívico existente.
De início, é válido trazer à tona como a imprudência na praticidade das leis perpetuam o impasse. Diante disso, ao tomar por exemplar a figura infanto-juvenil, a qual é tida como vulnerável pelo Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA), isto é, reconhece que elas são mais suscetíveis a serem lesadas, bem como é garantido o direito à segurança, em seu artigo 4°, nota-se a fragilidade na ação prática dessa diretriz, uma vez que, em virtude do exacerbado lucro obtido no tráfico de órgãos e prostituição destes, por exemplo, esses indivíduos são facilmente raptados, de modo a fomentar o crescimento dos casos de desaparecidos; semelhantes visto em “Dark”. Desse modo, sem o auxílio jurídico, tem-se um grupo cada vez mais indefeso, tornando a sociedade totalmente retrógrada.
Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, que a ausência de instrução na sociedade, ao lidar com esse tipo de imbróglio, dificulta a mitigação do mesmo. Sob esse viés, é evidente que a população brasileira não é orientada, de maneira correta, sobre quais procedimentos efetuar frente sumiço de pessoas, uma vez que a mídia- tendo em vista seu alto poder influenciador sobre a nação- não contribui para a disponibilidade de informações acerca dos centros de denúncias e de métodos profiláticos. Esse cenário vai de encontro ao pensamento do escritor George Orwell, no livro “1984”, no qual é sustentada a ideia de que a mídia tem um controle absoluto sobre a massa, de maneira a causar, consequentemente, a intervenção em seus atos.
Logo, incumbe ao Estado, instância máxima em garantir a segurança populacional, potencializar as investigações das desaparições de pessoas, por meio da criação de delegacias especializadas nesses acontecimentos em todo território nacional, de modo que essa averiguações sejam realizadas a todas as faixas etárias, com o fito de obter eficiência nas buscas pelos cidadãos no país. Além disso, o corpo midiático, na camada virtual e televisiva, deveria apoiar as Ongs e as instituições que fazem campanhas preventivas desses sumiços, com o fito de garantir maior segurança aos citadinos. Feito isso, acontecidos análogos ao de Mikkel não mais ocorrerão.