O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 27/10/2019
No limiar do século XXI, o desaparecimento de pessoas aparece como um dos problemas mais evidentes na sociedade brasileira. A partir de tal questão, muitas pessoas são exploradas ou assassinadas, além de afetar emocionalmente muitas famílias. Nesse contexto, é indispensável salientar que a omissão do poder público está entre as causas da problemática, uma vez que os esforços para a resolução desses impasses são ínfimos. Diante disso, vale discutir a insuficiência da administração pública e a importância da atuação da mídia frente ao desaparecimento de pessoas.
Em uma primeira abordagem, é fundamental destacar que a Constituição Federal de 1988 garante liberdade e integridade física para todas as pessoas. Todavia, o poder público falha na efetivação desses direitos. Consoante a Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Contudo, observa-se uma deturpação de tal pressuposto. À vista disso, o desaparecimento forçado de pessoas aparece como um fenômeno recorrente no Brasil e que viola direitos fundamentais à vida do indivíduo. A esse respeito, o caso do ativista Stuart Angel explana pontualmente o drama das pessoas desaparecidas: o jovem de 25 anos foi torturado e morto, além de seu corpo nunca ter sido encontrado pela família. Apesar de ter acontecido em uma época de instabilidade política, muitos desfechos como o do filho de Zuzu Angel ainda acontecem no Brasil.
Em uma segunda abordagem, cabe analisar, ainda, a relevância da atuação das mídias para a resolução dos casos de desaparecimento de pessoas no Brasil. Nesse aspecto, é possível observar um papel preponderante atribuído à mídia: o de selecionar e o de definir temas. Com base nisso, entretanto, os veículos comunicativos negligenciam a problemática ao não veicularem informações acerca das pessoas desaparecidas. Aliado a isso, é importante que a população colabore com as investigações, de modo a fornecer dados para as autoridades competentes. Na contramão desse cenário, estudos do Setor de Descoberta de Paradeiros do Rio de Janeiro indicam que 75% dos casos de desaparecimento de pessoas são arquivados por falta de informações e de provas sobre o crime.
Portanto, medidas são necessárias para resolver os casos de pessoas desaparecidas no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério Público, em parceria com as mídias de grande circulação, desenvolver um programa de integração entre os diferentes cadastros de buscas dos órgãos públicos e a mídia. Nesse projeto, os dados recolhidos sobre as pessoas desaparecidas serão divulgados em plataformas online e em canais comunicativos de grande circulação, como o rádio e a televisão, para que a população possa colaborar com as investigações. Com isso, espera-se um aumento da resolução de casos de desaparecimento no Brasil.