O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 28/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, em que o corpo social padroniza-se pela ausência de problemas e conflitos. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o drama das pessoas desaparecidas apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade temerária que mescla conflitos sociais e governamentais, analisar seriamente as raízes e os frutos da problemática é medida que se faz imediata.

Primeiramente, é fulcral pontuar que a baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam o desaparecimento permanente de pessoas, é um grande intensificador do problema. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso tem sido negligenciado no Brasil. Devido à inexistência de delegacias especializadas em cadastro e busca de pessoas desaparecidas em todos os estados, os parentes e conhecidos desses se veem desamparados e impotentes perante uma situação em que deveriam receber todo o apoio do Estado. Sendo assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal com urgência.

Além disso, o desaparecimento de pessoas encontra terreno fértil no silêncio social acerca do assunto. De acordo com o sociólogo alemão Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob tal ótica, para que o problema seja resolvido é necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à essa questão, uma vez que pouco se discute acerca dos motivos que leva uma pessoa a deixar o ambiente do lar e se expor a possibilidade de desaparecimento, visto que grande parte do desaparecidos saíram de casa de maneira voluntária em busca da fuga de um ambiente violento ou intolerante ou ainda, em casos de crianças, pela má supervisão dos responsáveis. Dessa maneira, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Destarte, fica evidente o drama inerente ao desaparecimento de indivíduos no Brasil, sendo necessárias medidas para o conter o avanço do quadro. Para isso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve criar delegacias de atendimento especializado no cadastro e investigação de casos de pessoas que desapareceram sem razão, de maneira que haja integração entre os órgãos de todos os estados, o que ampliará a possibilidade de localização dos indivíduos. Além disso, o Ministério deve criar campanhas em redes sociais oficiais e mídias, com objetivo de informar à população do dever de combater o desaparecimento de indivíduos, ao expor que isso ocorre comumente pela falta de respeito e cuidado com seus entes. Assim, os impactos do desaparecimento de pessoas serão atenuados.