O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 28/10/2019

O período da Ditadura Militar Brasileira ficou marcada, entre outros fatores, pelos constantes casos de desaparecimentos das vítimas da repressão do governo regente. De maneira análoga, décadas após o fim desse regime, o drama de pessoas desaparecidas ainda perdura no país e apresenta números que ultrapassam a faixa de 200 mil casos anualmente, conforme o Ministério da Justiça. Nesse sentido, deve-se analisar como a negligência governamental, assim como a falha na exposição da mídia entorno do assunto atuam como propulsores da problemática.

A princípio, é imprescindível afirmar que o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente define as crianças e os adolescentes como sendo vulneráveis, ou seja, reconhecem que eles são mais suscetíveis a serem lesados. Tal condição, justifica os altos índices de desaparecimento entre esse público, que equivale a cerca de 40 mil por ano, segundo dados do G1. Embora haja o reconhecimento dessa vulnerabilidade pela Constituição, não há um programa consistente e efetivo de orientação de segurança para esse grupo. Ainda que, no âmbito nacional, somente no Paraná existe uma delegacia especializada nesses acontecimentos, a SICRIDE (Secretaria de Investigação de Crianças Desaparecidas).

Outrossim, o escritor George Orwell no livro “1984” ressalta que a mídia é quem controla a massa, ou seja, é indubitável que os meios midiáticos, possuem uma grande influência sobre a população, porém, pouco atua no entorno do alarmante desaparecimento de pessoas no Brasil. Sob o mesmo ponto de vista, o “Quadro Desaparecidos” televisionado pela emissora Globo, recebe semanalmente familiares que através de depoimentos e apelos, buscam pelo reencontro com entes desaparecidos. Do mesmo modo, este quadro já ajudou a encontrar milhares de pessoas, de acordo com os dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Por certo, percebe-se que uma intervenção midiática  direcionada poderia resolver parcialmente a problemática em questão.

Portanto, medidas precisam ser tomadas afim de mitigar os altos índices de desaparecimentos. Cabe ao Estado, junto à Secretaria de Segurança Pública, potencializar as investigações dos desaparecimentos. Através da criação de delegacias especializadas nesses acontecimentos em todo território nacional, como o SICRIDE, para que haja eficiência e eficácia nas buscas. Além disso, requere-se que a mídia apoie as ONGS e as instituições responsáveis por campanhas preventivas desses sumiços. A fim de  melhorar a segurança dos indivíduos e, consequentemente, reduzir as ocorrências de desaparecimentos. Dessa forma, mais casos de desaparecimentos dentre os apontados pelo Ministério da Justiça, serão solucionados.