O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 29/10/2019

O filme irlandês “O quarto de Jack” relata a vida de uma mãe jovem mantida em cativeiro por anos com seu filho Jack. Desse modo, o drama dos desaparecidos não se restringe apenas ao cenário cinematográfico, e faz verossimilhança com a realidade mundial, sobretudo nacional.. Nesse contexto, a ineficiência na prática das políticas públicas e o papel da população indiferente à situação atuam como catalizadores dessa problemática.

Diante do pressuposto, cabe pontuar  a postura governamental diante da perspectiva do filósofo John Locke. De acordo com o contratualista inglês, o estado foi criado para garantir os direitos intrínsecos ao ser humano, dentre eles a vida, a liberdade e a propriedade. Contudo, vê-se que o Estado brasileiro falha ao cumprir o que foi proposto por Locke, uma vez que, mesmo com a criação de leis com o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas, efetuada no primeiro semestre de 2019, a alta burocracia perpetua a lentidão para a resolução dos casos. Por consequência, enquanto a negligência estatal for regra, os desaparecidos continuarão no anonimato.

Outrossim, é importante analisar como a banalidade do mal age sobre os desaparecidos. nesse cenário, de acordo com a falecida filósofa alemã Hannah Arendt, quando algo errôneo ocorre constantemente na sociedade, esta passa a vê-lo como corriqueiro e normal, denotando a perpetuação do mal. Sob tal viés, de forma análoga, quando a sociedade vê diariamente notícias sobre pessoas desaparecidas, cria-se a sensação de que não é mais um grande problema social , e, por conseguinte, não se da tanto valor para soluciona-lo.

Urge, portanto, que o Governo Federal instrumentalize as delegacias, para acelerar as investigações dos casos, por meio de cursos que capacitem, efetivamente, os profissionais que lidam com o assunto, com vistas a tornar a busca dos desaparecidos de forma eficaz. Além disso, compete ao mesmo órgão, mediante o Ministério da Cultura, proporcionar ações de merchandising social, promovendo documentários e filmes que discutem a respeito do problema, com o intuito de desenvolver o senso crítico para não se absterem da causa. Em síntese, com a materialização de tais medidas, casos ocorridos como no filme “O quarto de Jack” sejam solucionados com rapidez.