O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 30/10/2019

A novela brasileira “Senhora do Destino”, retrata a história de uma nordestina, que vive em busca de encontrar uma de suas filhas que foi sequestrada ainda quando criança por uma psicopata chamada “Nazaré”. Apesar de ter encontrado sua filha após muitos anos, esse cenário não se repete em milhares de famílias brasileiras, que permanecem na esperança de reverem seus parentes e amigos que, por razões diversas, sumiram do convívio social. Porém, no Brasil, o prolongamento da espera daqueles que se foram se intensifica devido a burocratização dos serviços de busca e a subnotificação midiática dos casos.

Primeiramente, cabe analisar o entrave da burocracia que dificulta essa problemática. Isto porque, além da ausência de planos estratégicos para buscar os desaparecidos, falta um trabalho psicossocial e econômico capaz de mitigar o pesar daqueles que aguardam por notícias dos seus entes. Segundo Mariane Pecassou, coordenadora do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), é preciso agilizar os trâmites de busca, auxiliar os que ficam e investigar os indícios deixados nas famílias dos desaparecidos para encontrar o raiz do sumiço. Porém, a falta de aparato das assistências sociais impede que um trabalho aprofundado seja feito nesse sentido. O reflexo em números são mais de 80 milhões de desaparecidos apenas em 2018 como destaca o 13º Anuário de Segurança Pública.

Outro aspecto relevante, é a omissão por parte dos meios midiáticos, que pecam por não priorizar em sua grade de programação, matérias ligadas ao desaparecimento de pessoas. Em grande parte das ocorrências, as famílias recebem uma breve atenção que some à medida que o fato torna-se desinteressante. Já a internet tem se tornado uma grande aliada nas buscas, inclusive servindo de inspiração para filmes como “Buscando” de 2018, o qual em seu enredo conta a história de um pai que tem a filha desaparecida e acha na rede as pistas para reencontrá-la.

Portanto, a burocracia e a subnotificação dificultam o achamento das pessoas desaparecidas no país. Nesse sentido, cabe ao Governo Federal em trabalho conjunto com a Cruz Vermelha, Polícias Civil, Militar e, sobretudo Federal, além de assistências sociais, através de verbas destinadas a desburocratizar os processos de busca e criar meios assistencialistas para as famílias, com a finalidade de integrar todos os envolvidos no ágil processo de busca e mitigar as dores dos familiares. A mídia, por sua vez, pode criar um espaço em sua programação destinado a não apenas anunciar, mas também contar os bastidores desses casos, com o fito de sensibilizar as pessoas sobre as razões comuns ligadas aos diversos sumiços. Com tal abordagem, apoio e acompanhamento, outros reencontros ocorrerão, assim como na novela “Senhora do Destino”.