O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 30/10/2019
A série televisiva “Dark” retrata, em um de seus episódios, o caso de Mikkel: um jovem da cidade de Winden que, de forma misteriosa, desaparece da sua localidade, fazendo com que o corpo policial realize constantemente a sua procura. Nesse sentido, sobretudo fora do universo ficcional, no Brasil, os índices do número de pessoas desaparecidas crescem exponencialmente, ora pela negligência legislativa, ora pela imprudência midiática existente.
De início, é válido trazer à tona como a imprudência na praticidade das leis perpetua o impasse. Diante disso, ao tomar por exemplar a figura infanto-juvenil, a qual é tida como vulnerável pelo Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA), isto é, reconhece são mais suscetíveis a serem lesadas, nota-se a fragilidade na ação prática dessa diretriz, visto que, em virtude do exacerbado lucro obtido no tráfico de órgãos e prostituição, por exemplo, os infantes são facilmente raptados, dificultando a mitigação da problemática. Desse modo, os petizes, como visto em “Dark”, tornam-se cada vez mais frágeis e indefesos frente a esse panorama.
Outrossim, é fulcral pontuar, ainda, que a ausência de instrução à sociedade, pela mídia, dificulta a solução da mazela. Sob esse viés, é evidente que a população brasileira não é orientada, de maneira correta, sobre quais procedimentos efetuar frente ao sumiço de pessoas, uma vez que a mídia, por possuir alta influência, não contribui para a disponibilidade de informações acerca dos centros de denúncias e de métodos profiláticos. Esse cenário vai de encontro ao pensamento do escritor George Orwell, em “1984”, no qual é sustentada a ideia de que a mídia tem um controle absoluto sobre a massa, de maneira a causar, consequentemente, a intervenção em seus atos.
Logo, incumbe ao Estado, instância máxima em garantir a segurança populacional, potencializar as investigações das desaparições de pessoas, por meio da criação de delegacias especializadas nesses acontecimentos em todo território nacional, de modo que as procuras sejam realizadas a todas as faixas etárias, com o fito de obter eficiência nas buscas pelos cidadãos no país. Além disso, o corpo midiático deveria apoiar as ONGs que fazem campanhas preventivas desses sumiços, com o fito de garantir maior segurança aos citadinos. Feito isso, acontecidos análogos ao de Mikkel não mais ocorrerão.