O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 30/10/2019

O seriado norte americano “Safe” expõe o drama vivenciado pelo pai de Julie, uma adolescente desaparecida por mais de semanas. No Brasil, esse problema não é restrito apenas ao entretenimento, uma vez que o paradeiro de centenas de crianças continua desconhecido. E, sabido que esses índices tendem a continuar por conta da negligência do governo em resolver os casos e a facilidade dos infantes em ser atraídos por criminosos, cabe analisar com maior amplitude os casos de desaparecidos no Brasil.

Em uma visão primária, ressalta-se as elevadas chances de um adulto conseguir atrair os pequenos. Como proferido por John Locke, “um indivíduo nasce como uma folha em branco”, o que evidencia a pueril mentalidade de uma criança em acreditar no que lhe é dito e em seguir os passos de um persuasivo. Sendo essa característica infantil conhecida popularmente, sequestradores utilizam doces e brinquedos para convencer os ingênuos a segui-los e, somado ao descuido de muitos pais, aproveitam a oportunidade para raptar as crianças. Desse modo, compreende-se a relação entre a inocência infantil e os mais de 700 mil desaparecimentos registrados pela Cruz Vermelha, em 10 anos, no Brasil.

Por conseguinte,  a negligência Estatal é outro empecilho para erradicar o problema. Apesar de já desenvolvido o “Captcha Desaparecimento”, um dispositivo auxiliador nessas buscas, o governo desvaloriza essa tecnologia ao não atualizar as informações expostas, o que retarda o solucionamento desses casos. Esses atrasos vão de antemão ao Instituto da Criança e do Adolescente, o qual garante o direito a segurança dos menores. Com isso, relaciona-se a sofrida realidade dos jovens com a ideologia de “Cidadãos de Papel”, de Gilberto Dimenstein, em que os direitos constitucionais só existem na escrita, colocando o adolescente em risco. Logo, nota-se a falta de comprometimento dos responsáveis em reverter esse viés no Brasil.

Dessarte, portanto, urge medidas eficazes para minimizar o desaparecimento de crianças e adolescentes. Cabe ao Ministério da Segurança Pública, em parceria com escolas públicas de todo o país -pois atingem um grande contingente de jovens- a promoção de palestras que evidenciem às crianças os cuidados que essas devem tomar ao se tratar de desconhecidos. Essa ação deve ser mediada por policiais e psicólogos, juntos, com o fito de evitar a fácil manipulação aos menores e diminuir os casos de sequestros. Ademais, o mesmo Ministério deve fazer jus ao dispositivo mencionado, para que, por meio de atualizações regulares, o cenário fictício do seriado “Safe” deixe de integrar a realidade brasileira.