O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 30/10/2019
Lançado em 2016 pela Disney, o filme “Procurando Dory” narra a história da personagem que, sofrendo com problemas de memória, perdeu-se de casa e durante muitos anos foi considerada desaparecida por sua família, que nunca desistiu de encontrá-la. Fora da ficção, o desaparecimento de pessoas apresenta números alarmantes na realidade brasileira, sendo necessário, dessa forma, o debate acerca da insipiência social a problemática e da situação de descaso em que se encontram os familiares de indivíduos desaparecidos.
A princípio, deve ser compreendida a falta de consciência da sociedade brasileira quanto ao problema, devido a ínfima discussão desse pelas instituições formadoras de opinião. Sob essa perspectiva, a falta de debate em escolas, mídias e empresas acerca do sumiço de cidadãos -promovendo a divulgação de casos locais e de como proceder após o sumiço de uma pessoa- acarreta na insipiência da população, tornando-a pouco engajada e solidária na busca desses indivíduos. Assim, a informatização do corpo social sobre essa mazela mostra-se uma forma de reduzi-la, afinal, como proferido pelo sociólogo Émile Durkheim, “a solidariedade social é fruto da consciência coletiva”.
Outrossim, discute-se o sofrimento das famílias de desaparecidos, inseridas num contexto de negligência governamental. Nesse viés, de acordo com o psicanalista Sigmund Freud, eu seu texto “Luto e Melancolia”, o luto é posterior à aceitação da perda de uma pessoa. De maneira contrária, os familiares de indivíduos que desapareceram, sem notícias e esclarecimentos -semelhante aos pais de Dory na ficção- sofrem com a angústia e incerteza da perda, sem qualquer suporte do Governo brasileiro. Desse modo, a Associação de Busca de Crianças Desaparecidas (ABCD) é um organismo privado que promove, além da divulgação de casos do gênero em seu site, encontros entre os participantes do projeto, a fim de proporcionar apoio emocional às famílias, o qual deveria ser ofertado, portanto, também pelo Estado brasileiro.
Dado o exposto, cabe às instituições midiáticas e escolares elucidar os brasileiros, distribuindo informações, por meio de cartilhas e propagandas, de como prosseguir após o desaparecimento de uma pessoa e dos casos ocorridos na região, com o fito de promover a conscientização do corpo social, e a consequente solidariedade pensada por Émile Durkheim. Ademais, é papel do Estado brasileiro, além da busca de tais cidadãos, criar parcerias com ong’s como a ABCD, a fim de garantir apoio às famílias afetadas pela problemática, patrocinando reuniões dessas com psicólogos. Feito isso, será possível distanciar o drama das pessoas desaparecidas do Brasil com aquele de Dory.