O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 30/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita,na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o desaparecimento de pessoas apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do poder público quanto do individualismo. Torna-se,portanto, fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Advém ressaltar, a princípio, a ilegitimidade dos órgãos governamentais mediante a adoção de políticas de contenção da problemática.Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Contudo, tal instrução Aristotélica não é vista na prática, uma vez que, embora esteja previsto na Constituição uma lei que institui politicas de busca de pessoas desaparecidas, muitos familiares permanecem sem informação do desaparecido, devido a alta burocracia, na qual impede uma investigação eficiente. Por isso, infelizmente, ocorre a demora das resoluções dos casos e até sua não conclusão, permitindo a perpetuação desse quadro deletério.
Ademais, o exacerbado individualismo, atrelado à lógica capitalista, também é responsável pelos casos de desaparecimento de pessoas. Isso acontece porque, na pós-modernidade, conforme defende o sociólogo Zygmunt Bauman na obra ‘‘Amor Líquido’’, os indivíduos buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, o individualismo é potencializado e muitas pessoas passam a enxergar os outros apenas como um instrumento de lucro. Desse modo, utiliza-se do desaparecimento de homens e mulheres para práticas perversas, tais como a venda de órgãos ou trabalho escravo.
Em suma, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Primeiramente, cabe ao Poder Legislativo, por meio de debates entre congressistas e senadores a melhor maneira de garantir-se o bem estar democrático no país, discutindo modos de fiscalização e a ampliação de leis sobre o desaparecimento de pessoas, a fim de mitigar sua ocorrência no Brasil. Essa ação de dará por meio da criação de delegacias especializadas nesse tipo de crime, principalmente nas áreas que mais necessitam. Além disso, também é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de Ética e Cidadania no currículo dos ensinos infantil, fundamental e médio. Tal disciplina, com o intuito de desconstruir o individualismo, deverá disseminar o hábito da empatia. Desse modo, atenuar-se,em médio e longo prazo, a problemática e a coletividade alcançará a Utopia de More.