O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 01/11/2019
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, filósofo grego, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade vivenciada pelo indivíduos que estão desaparecidos. Dessa forma, em vez de tentar aproximar a realidade descrita pelo filósofo da vivenciada pelo corpo social, a inoperância do Estado diante da situação corrobora para o declínio desse revés.
Em primeira instância, convém ressaltar que o drama das pessoas desaparecidas não é recente. Nessa perspectiva, a Ditadura Militar (1964-1985) colaborou diretamente nessa questão, uma vez que o regime perseguia e encarcerava àqueles que eram contro o tipo de governo. Assim, muitas pessoas desapareceram na época do regime militar, e não foram encontradas até os dias atuais. Embora o problema não seja atual, a lei que desenvolve políticas públicas para buscar pelos cidadãos que desapareceram só foi sancionada em 2019. Percebe-se, então, o quanto o Brasil é atrasado no que se diz respeito aos direitos humanos.
Outrossim, vale frisar que os jovens são os que mais desaparecem no país, segundo o jornal G1. Nesse contexto, os adolescentes, na maioria dos casos, alimentados pelo desejo de buscar uma vida melhor no exterior, caem na enganação de quadrilhas, que desejam explorá-los sexualmente ou até mesmo para venderem seus órgãos e obter lucros mediante a isso. Desse modo, o artigo 5 da Constituição Federal, o qual afirma que todo cidadão tem direito à vida e à segurança, não é colocado em vigor, visto que o Estado ainda não assegura tais direitos.
Fica evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para modificar a realidade, pois de acordo com George Shaw, jornalista irlandês, o progresso é impossível sem mudança. Cabe ao Ministério da Justiça reforçar a segurança da população, por meio da lei já sancionada - dado que essa tem como dever localizar e assegurar a vida do indivíduo - punindo severamente, também, àqueles que traficam pessoas para obter lucros. A mídia, como grande formadora de opinião, deve alertar a sociedade, mediante aos meios de comunicação, com propagandas e campanhas alertando sobre o tráfico de pessoas, a fim de que essas não caiam nas armadilhas das quadrilhas e sejam conscientizadas sobre essa adversidade. Só então o princípio de Platão será colocado em prática no Brasil.