O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 01/11/2019
No livro ” O Quinze” de Rachel de Queiroz, Pedro, Filho de Chico Bento, conhece um outro grupo de retirantes e desaparece. Diante do seu desaparecimento, sua família inicia buscas sem sucesso. Fora da trama literária, muitas pessoas vivem essa realidade no Brasil. Logo, a angústia pela falta de resposta e todos os desgastes da busca geram impactos na saúde física e mental dos familiares, fragilizando as relações pessoais e comunitárias, prejudicando a condição econômica dos mesmos, além de trazer problemas jurídicos e administrativos diversos para o cenário nacional.
Em primeira análise, de acordo com dados fornecidos pelo Ministério Público, jovens negros têm um protagonismo nas estatísticas de pessoas desaparecidas, a maioria são negros e pardos de 12 até 29 anos. Assim, a família dos ausentes, além de lidar com todo o preconceito racial da sociedade, tem que lidar com a falta da pessoa que sumiu. Outrossim, em 66,5%, ainda segundo o Ministério Público, o motivo do desaparecimento é indeterminado. Bem como, alguns casos acontecem devido aos transtornos psicológicos, onde os portadores da doença acabam se perdendo ou fugindo de casa, outros são em razão do consumo excessivo de drogas, no qual os usuários acabam brigando com a família, saem em busca de mais narcóticos e nunca mais voltam.
Em segunda análise, como ocorreu na Ditadura Militar, o desinteresse do Estado em investigar os casos dificulta o descobrimento das vítimas. Dessa forma, o caso levado à polícia é apenas registrado em um Boletim de Ocorrência (BO), e a investigação só é levada adiante se a família pagar um detetive particular. Assim, no Brasil, não existe uma política de incentivo e custeio aos parentes desaparecidos, e, em consequência, as famílias de baixa renda não podem pagar e acabam sem notícias do conhecido. Ainda mais, a Cruz Vermelha constatou que mais de 700 mil pessoas sumiram, o que mostra a falta de eficiência estatal, sobressaltando ainda mais o sofrimento das famílias.
A fim de mitigar os problemas advindos do desaparecimento de pessoas, cabe às associações de psicólogos, em conjunto com o CAPS (Centro de Apoio Psicossocial), monitorar e oferecer acompanhamento psicológico aos familiares das vítimas, com o objetivo de garantir o bem-estar de todos. Além disso, a Polícia Federal deve proceder a investigações em regiões denominadas de milícias, tendo em vista que o maior índice de pessoas desaparecidas se dá nessas áreas, fato acentuado por homicídio e ocultação de cadáver. Por fim, a Administração Pública, em parceria com setores da tecnologia, deve investir em aplicativos que estabeleçam uma unificação dos cadastros estaduais de pessoas desaparecidas, de forma a promover um melhor rastreamento desses casos. Dessa forma, o drama em torno dos casos de pessoas desaparecidas pode vir a diminuir.