O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 01/11/2019
O livro “O quinze” de Rachel de Queiroz, Pedro, o filho mais velho de Chico bento, conhece um outro grupo de retirantes e acaba sumindo, depois de sentir a sua falta seus pais começam a procurá-lo, porém não obtiveram sucesso. Fora da literatura, O drama das pessoas desaparecidas é uma realidade, não só pelo o que ocorre com os indivíduos levados, como também a tristeza dos familiares que ficam.
A princípio, o desinteresse da Polícia Civil em investigar os casos de desaparecimento dificulta o descobrimento das vítimas. Isso acontece porque os detetives estatais operam apenas em casos envolvendo crianças e adolescentes, ao contrário, registra apenas um Boletim de Ocorrência (BO). Além disso, as investigações só ocorrem quando existem indícios de morte ou sequestro, no contrário, ficam no aguardo até que a pessoa seja abordada. Nesse sentido, de acordo com a Cruz Vermelha, nos últimos dez anos desapareceram mais de 700 mil pessoas no território nacional, fato que traz à tona a ineficiência estatal e, com efeito, os transtornos e angustia dos familiares.
Ademais, a falta de assistência aos familiares é outro fator que está entre os pilares da problemática. De fato, em caso de desaparecimento, parentes e responsáveis é quem custeiam a distribuição de cartazes, anúncios em jornais e viagens para tentar a localização dos desaparecidos. Nessa conjuntura, o filósofo Friedrich Nietzsche afirma que, “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”, assim, no Brasil, inexiste uma política de incentivo e custeio aos parentes dos desaparecidos, a fim de não repetir os ocorridos no século anterior. Consequentemente, os antes queridos se sentem obrigados a fazerem empréstimos e gastar o que não tem, já que o Governo não prioriza essa problemática.
Depreende-se, portanto, que a questão dos desaparecidos no Brasil necessita de medidas urgentes. Para isso, o Ministério da Segurança deve exigir que as policias Civil e Militar faça o Boletim de Ocorrência e, em seguida, já inicie o processo de investigação, medida válida para todo cidadão, independentemente da idade, a fim de recuperar a vítima o mais rápido possível. Outrossim, o Governo deve criar um fundo para dar assistência financeira aos familiares, por meio de parcerias com Bancos públicos e privados, com o objetivo de custear as despesas com viagens e divulgação do desaparecimento em praças públicas e na mídia. Com essas medidas, certamente o Brasil vai evitar transtornos dos antes queridos, e evitar que os sumiços de pessoas, assim como ocorreu na Ditadura Militar, deixe de perpetuar nos próximos anos.