O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 01/11/2019

O desaparecimento do Rei D. Sebastião em meados do século XVI deu origem ao termo Sebastianismo cuja crença defendia a volta do monarca português para os braços do seu povo. Apesar dele não ter retornado, esse episódio serve de inspiração para muitas pessoas que, por razões diversas, sumiram do convívio social. Porém, no Brasil, o prolongamento da espera daqueles que se foram se intensifica devido a burocratização dos serviços de busca, e a subnotificação midiática dos casos.

Sem dúvida, o entrave da burocracia é o agravador dessa problemática. Isto porque, além da ausência de planos estratégicos para buscar os desaparecidos, falta um trabalho psicossocial e econômico capaz de mitigar o pesar daqueles que aguardam por notícias dos seus entes. Segundo Marianne Pecassou, coordenadora do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), é preciso  agilizar os trâmites de busca, auxiliar os que ficam e investigar os indícios deixados nas famílias dos desaparecidos para encontrar a raiz do sumiço. Essa sondagem mostra-se fundamental, pois, em muitos casos o indivíduo que resolveu se esconder o fez por questões ligadas a violência doméstica, uso de drogas, depressão, entre outras. Porém, a falta de aparato das assistências sociais impede que um trabalho aprofundado seja feito nesse sentido. O reflexo em números são mais de 80 milhões de desaparecidos apenas em 2018, como destaca o 13º Anuário de Segurança Pública.

Enquanto isso, os meios midiáticos pecam em não priorizar em sua grade de programação matérias ligadas ao desaparecimento das pessoas. Se isso fosse feito em boa parte dos casos, o número de pessoas sumidas poderia ser menor. Porém, um dos poucos sumiços que ganharam notoriedade televisiva foi o do pedreiro Amarildo, desaparecido próximo a uma UPP dos morros cariocas, que continua em aberto. Nos demais, as famílias recebem uma breve atenção da mídia que some à medida que o fato torna-se desinteressante. Já a internet tem se tornado uma grande aliada nas buscas, inclusive servindo de inspiração em filmes como Buscando, de 2018, o qual seu enredo conta a história de um pai que tem a filha desaparecida e acha na rede as pistas para reencontrá-la.

Assim, a burocracia e a subnotificação dificultam o achamento de pessoas desaparecidas no país. Para mudar isso, o Governo Federal deve aparatar órgãos como a Cruz Vermelha, Polícias Civil, Militar e, sobretudo Federal, além de assistências sociais, através de verbas destinadas a desburocratizar os processos de buscar e criar meios assistencialistas para as famílias. O intuito disso é integrar todos os envolvidos no ágil processo de busca e mitigar as dores dos familiares. A mídia, por sua vez, pode criar um espaço em sua grade destinado a não apenas anunciar, mas também contar os bastidores dos casos.

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