O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 29/03/2020
Na década de 90, o deputado Ulysses Guimarães sumiu durante um vôo e, mesmo com todas as buscas realizadas pelas autoridades, seu corpo nunca foi encontrado. No Brasil, o sumiço de pessoas tornou-se comum, haja vista o desaparecimento de mais de 200 pessoas por dia, demonstrando a incapacidade do Estado na afirmação da segurança do povo. Com isso, compreende-se que a resolução do drama de pessoas desaparecidas no Brasil se insere na questão da melhoria dos processos investigativos e na manutenção de organizações civis voltadas ao encontro dessas pessoas.
O drama existente define-se pela inversão do problema do desaparecido enquanto preocupação afetiva e imediata para numérica uma preocupação de ordem numérica e impessoal. É comum nos relatos destas pessoas a descrição da procura como solitária, isto é, relatam haver na busca uma sensação de desamparo. Isto, pois, o empenho de familiares e amigos não se reflete nas ações dos órgãos públicos responsáveis pela busca. Por quase 25 anos, Ivanice Esperedião, fundadora da ong Mães da Sé, reivindicava, juntamente a outras dezenas de representantes de desaparecidos, a criação de um cadastro nacional de pessoas desaparecidas, que só foi criado em 2019. Essa situação agoniante demonstra a urgência da implementação e fixação de melhorias investigativas no país.
Outrossim, mesmo após a conquista do cadastro, vê-se que sua manutenção é debilitada. Mesmo agora com a plataforma online, endereçada desaparecidos.mj.gov.br, Marianne Pecassou, membra do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, declara haver casos de subnotificação. Desse modo, o efetivo investigativo, já naturalmente fraco, atua desorientado e sem perspectiva geográfica dos casos, sem identidade etária e sem os os motivos pelos quais se fundam os casos de desaparecimento. Tais números, que para os órgãos competentes parecem insignificantes, assombram de maneira precisa as lembranças dos parentes e amigos daqueles que desaparecem.
Deve-se, então, para que haja a superação do drama de desaparecidos, haver um fortalecimento de um corpo técnico nos processos de investigação atrelado a dados mais precisos e seguros. Para isso, necessita-se de uma estruturação de um maior contingente policial a parte e a expansão de técnicas já existentes para o âmbito nacional como, por exemplo, o retrato, por meio de estudos antropométricos, do desaparecido no tempo presente, como já ocorre no serviço de inteligência da polícia de São Paulo. Somente assim a segurança será afirmada e o drama resolvido.