O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 08/06/2020

A animação “Procurando Nemo”, retrata a busca constante, do personagem Marlin, um peixe palhaço, por seu filho que está desaparecido. No entanto, no Brasil, isso não se restringe a ficção, visto que o drama das pessoas desaparecidas está presente na sociedade. Nesse espectro, o problema tem raízes na desinformação da população e na inoperância estatal.

Primeiramente, é preciso destacar como a ignorância sobre o tema, fomenta a efetividade da problemática. Nesse sentido, para o sociólogo Emile Durkheim, no mundo capitalista, a sociedade vive uma “Solidariedade Orgânica”, na qual ocorre uma diminuição da empatia. Decerto, esse cenário é refletido nos meios midiáticos, que não promovem campanhas informativas sobre a prevenção, apenas apontam números e índices de forma superficial. Prova disso, é a desinformação da população, que continua acreditando, por exemplo, que é necessário aguardar 48 horas para comunicar o sumiço, dificultado a localização.

Somado a isso, a falta de ações governamentais é um empecilho para a resolução dos desaparecimentos. Nessa lógica, não existe um sistema integrado entre Polícia Militar, Civil, Hospitais e Instituto Médico Legal, para identificação de desconhecidos. À vista disso, a Promotora Eliane Vendramini, responsável pelo Programa de Pessoas Desaparecidas de São Paulo, afirma que ocorre um “redesaparecimento”, uma vez que indivíduos são perdidos pelo próprio sistema. Dessa forma, a falta de colaboração, impede uma ação rápida e eficaz, perpetuando a angústia e a dúvida de muitas famílias.

É evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de minimizar o número de desaparecidos. Nesse contexto, Mídia e Ministério da Justiça têm papel fundamental, esse deve promover a integração dos dados, por meio da criação de um sistema, no qual a notificação do sumiço poderá ser feita por um aplicativo no celular, ao mesmo tempo em que a imagem da pessoa, em questão, será colocada em painéis eletrônicos em rodovias, isso reduzira o tempo de resposta, aumentando a probabilidade de resolução, aquela, como 4º poder, pode promover campanhas, em telejornais e redes sociais, para orientar sobre o aplicativo e a necessidade de cooperação. Dessa forma, as cenas de desaparecimento ficarão apenas na ficção.