O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 20/06/2020

Uma das clássicas narrativas dos estúdios Disney conta que a personagem Simba perde-se da savana africana, após a morte de seu pai, sendo salvo por Timão e Pumba, figuras solidárias com o pequeno leãozinho. Transpondo-se a ficção, identificam-se –no cenário brasileiro atual- milhares de histórias de desaparecimento de pessoas com desfechos diferentes e dolorosos relativamente ao de Simba. Nesse sentido, a inconsistência de políticas de segurança nacional e o descaso coletivo caracterizam-se como expressivos motivos para a perpetuação do impasse. Em face desse problema, fazem-se prudentes deligências para a contenção de imensa ferida banalizadora da vida humana.

É lícito pontuar, a princípio, a responsabilidade do Estado em garantir políticas de segurança à população, sendo tal garantia assertivada na Carta Magna. Entretanto, lamentavelmente, esse direito não é eficazmente efetivado, visto que, consoante o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 250 mil pessoas desaparecem no Brasil todos os anos. Por conseguinte, milhares de habitantes são lesionados em sua dignidade e respeito humano, contribuindo, grandemente, para o grave retrocesso jurídico da nação. Com isso, nefastas falhas estatais em solucionar esse embate contrariam a tese do exímio filósofo Hegel, a qual conclui como dever ético do Estado manter a ordem objetiva e a autonomia social.

Soma-se à tamanha problemática, a ausência de empatia coletiva em relação aos indivíduos em situação de desaparição, tornando, dessa forma, incapaz a mitigação do óbice. Isso porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, as sociedades modernas seguem a solidariedade orgânica, ou seja, o consenso social é inferior à noção de individualismo, o que gera a neutralização da alteridade na conjuntura hodierna e posterior escassez de cooperação grupal, diferente da narrada no filme “O Rei Leão”. Dessarte, infelizmente, essa carência de altruísmo provocou a invisibilidade popular em relação à assistência aos desaparecidos, corroborando, então, a ineficácia da seguridade humanitária sobre esses cidadãos subjugados.

Portanto, diante das abordagens tecidas, cabe ao Governo Federal mediante atores primordiais- tais como o Ministério da Justiça, Mídia engajada e Sociedade Civil- a elaboração de um Plano Piloto. Tal programa deve criar delegacias especializadas em todo o território nacional, com profissionais capacitados, impulsionar continuamente publicações nas redes sociais para garantir visibilidade à causa e, ainda, conscientizar, socialmente, acerca da importância da colaboração geral, por meio de parcerias compartilhadas entre esses órgãos, com a finalidade de proporcionar proteção aos citadinos. Assim, casos de sumiço repentino ficarão enfáticos somente nas produções dos estúdios Disney.