O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 12/07/2020
Desde 1996, dezenas de mães se reúnem na Praça da Sé, na capital paulista, com cartazes e fotos de seus filhos, na esperança de quem alguém tenha informações sobre seu paradeiro. Hoje, elas representam uma ONG cujo objetivo é ajudar milhares de famílias a enfrentar uma difícil realidade brasileira: o drama das pessoas desaparecidas. Nesse contexto, torna-se fundamental discutir como a falta de empatia da sociedade para com a causa, bem como a ineficiência da segurança publica contribuem para a alta prevalência da questão no país.
A priori, convém destacar que, no Brasil, são registrados 82 mil casos de desaparecimento por ano, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Todavia, apesar de representar um problema social, a maioria das pessoas não se envolve ativamente. Prova disso é que as redes sociais, excelente veículo compartilhamento de informações, não são utilizadas para divulgar fotos dos ausentes, por exemplo. Nesse sentido, a falta de cooperação corrobora com a visão do sociólogo Émile Durkheim, na qual o individualismo tornou-se mais relevante que o coletivo.
Ademais, o direito à segurança, disposto pela Constituição Federal de 1988, não tem sido respeitado. Logo, a ausência de políticas públicas eficazes, como maior monitoramento por câmeras e policiamento nas ruas, torna o espaço propicio à ação de criminosos e, ao mesmo tempo, não registra possíveis pistas que poderiam ser usadas nos processos investigativos. Por outro lado, embora a criação do Cadastro Nacional para localização dos desaparecidos tenha sido considerado um grande passo, em 2019, ainda são necessários grandes investimentos para a proteção dos indivíduos, tal qual é assegurada pela Carta Magna.
Portanto, tendo em vista a prevalência da temática supracitada e seu impacto na sociedade, o Ministério da Educação, principal agente para solução de problemas estruturais, deve compor no ideal da nova geração que a assistência para com o drama dos desaparecidos é um dever social. Para tanto, serão realizadas, nas escolas, palestras com os familiares das vítimas e investigadores, além da distribuição de materiais com informações sobre características dos indivíduos perdidos em regiões próximas. O Fito de tal ação é combater o pensamento egoísta, ao passo que estimula a colaboração. Além disso, o Governo Federal deverá criar um fundo para financiar e exigir dos municípios melhorias em relação à segurança. Assim, inspirados nos ideais altruístas das Mães da Sé, mais famílias encontrarão seus entes queridos.