O drama das pessoas desaparecidas

Enviada em 20/07/2020

A Constituição Federal de 1988 do Brasil, assegura direitos que são inerentes a pessoa, como o direito à vida, saúde, alimentação e segurança. Entretanto, ao observar a questão das pessoas desaparecidas, percebe-se que o direito à segura é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e a alienação social colaboram para esse quadro.

Mormente, a inobservância do Governo é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as autoridades não se preocupam, de fato, em averiguar e desenvolver políticas públicas eficientes que tenha como objetivo primordial encontrar os indivíduos desaparecidos. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, algumas instituições- dentre elas o Ministério da Justiça e Segurança Pública- perderam o seu papel social e configuram-se como ’’ Instituições Zumbis ‘’, ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Assim, consequentemente, as famílias que sofrem com o desaparecimento de um ente, se veem obrigadas a buscarem respostas sem o amparo dos órgãos responsáveis pela segurança do país.

Outrossim, a alienação social é outro fator importante para a temática. Essa situação se deve porque a sociedade decide se calar diante de um problema que afeta determinado grupo. Logo, ao analisar a falta de afeto social com a questão do desaparecimento de pessoas, percebe-se  a normalização desse tema no Brasil. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Bourdieu, existem ‘‘Violências Simbólicas’’ nas quais a classe dominante exclui e ao mesmo tempo silencia determinada distorção. Assim, por consequência da ausência de divulgação de notícias nos grandes meios de comunicação e em consonância com o silenciamento e exclusão da classe dominante sobre a questão do desaparecimento de indivíduos, nota-se o desenvolvimento de doenças psicológicas como a ansiedade, depressão e crise de pânico nas famílias que são vítimas dessa realidade na sociedade brasileira.

Dessa maneira, medidas são necessárias para resolver o impasse. Portanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, deve, por meio de uma averiguação minuciosa de câmeras de segurança, junto à Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), buscar o cidadão, a fim de parar a busca somente depois de encontrar o indivíduo. Ademais,  o Ministério da Educação, em parceria com as redes sociais, deve criar sites que tenham como objetivo divulgar o desaparecimento de pessoas, além de elaborar campanhas que fale sobre o sumiço de pessoas e o desespero das famílias que buscam pelo seus parentes, com o viés de comover os cidadãos e divulgar a questão do desaparecimento de pessoas no Brasil.