O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 13/01/2021
A famosa animação da Disney, “Procurando Nemo”, tem como enredo principal a busca incessante do peixe Marlin pelo seu filho, Nemo, que sumiu após ultrapassar a barreira imposta por seu pai e ser capturado por mergulhadores humanos. De modo análogo, milhares de famílias anualmente entram na busca por seus entes queridos, e enfrentam dificuldades e angústias por não terem seus casos resolvidos. Sendo assim, faz-se necessário compreender como a falta de informação e a negligência governamental corroboram para a problemática.
Com efeito, é fundamental pontuar que a desinformação, fenômeno que atinge principalmente os mais pobres, é uma das principais causas de haver pessoas desaparecidas no Brasil. Isso se dá porque grande parte desses casos ocorrem pela confiança excessiva, em especial de jovens, em pessoas desconhecidas que, no geral, estão bem apresentadas e se mostram com um alto poder aquisitivo, mas pretendem levar o indivíduo de modo forçado a locais de pedofilia e prostituição. Assim, de acordo com a ideia do economista Celso Furtado, de que o subdesenvolvimento é, na verdade, um projeto, torna-se muito cômodo às elites deixar as camadas mais baixas da sociedade alienadas, por mais que isso, por vezes, tenha consequências indesejadas a esta parte excluída da população, como não saber ou não entender a forma correta de se defender e acabar ficando mais suscetível a esse tipo de crime.
Além disso, tem-se que o descaso do governo é um fator agravante na falta de resolução dos casos de desaparecimento. Tal questão ocorre porque a atenção do Estado está normalmente voltada a ações que visam o lucro e interesses financeiros, não se importando, de fato, com as vidas que já podem ter sido perdidas, e nem com as famílias e amigos que tiveram suas rotinas quebradas pela procura incansável de quem nunca obtêm respostas. Isso pode ser percebido ao se analisar que, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 226 desaparecimentos ocorrem por dia no Brasil e praticamente nada é feito para reverter a situação, ou seja, como apontado pelo geógrafo Josué de Castro, não faltam recursos, e sim vontade política de mobilizá-los em prol da sociedade.
Assim, medidas são imprescindíveis para alterar esse cenário problemático. Para tanto, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir nas escolas uma campanha informacional, que ocorrerá por meio de aulas com dicas de cuidados e precauções dadas por especialistas e pessoas que já ficaram desaparecidas. Ademais, as ONGs engajadas na causa do desaparecimento devem pressionar o poder público, por meio das mídias, para conseguirem rápida resolução dos casos. Dessa forma, será possível alcançar o objetivo de reduzir a quantidade de desaparecimento, e situações como a vivenciada pelo peixe Marlin em “Procurando Nemo” serão raras no Brasil.