O drama das pessoas desaparecidas
Enviada em 13/03/2021
´´Perséfone´´ é uma jovem da mitologia grega, com uma notável beleza, mas que foi raptada por Hades para fazer-lhe companhia no reino inferior. Evoca atenção, a tristeza manifesta nos pais de Perséfone, os quais negociam com o vilão para que a jovem possa visita-los em certas épocas do ano. Respeitante a essa narrativa, o desaparecimento de pessoas no Brasil, de fato, acontece aos moldes mitológicos, todavia as vítimas não voltam aos seus familiares, e essa realidade é ampliada pelo reduto sistema de vigilância e de proteção pública.
A princípio, a fraudulência força vigilante, bem como a inativação de câmaras em bairros e avenidas perpetua o crime. Tal acepção orquestra com a filosofia de Foucault, na teórica dos corpos dóceis, que mostra a moldura dos indivíduos em se encaixar nos padrões de vigilância das instituições. Nesse viés, a ausência de ferramentas de observação compactua com a ocorrência de desaparecimentos, pois os criminosos detectam a não observância de seus comportamentos e não moldam seus atos. Sobre isso, as periferias e outros espaços de negligência vigilante são os mais afetados, na maioria associados a famílias carentes que vivem nas ruas. Desse modo, os infratores não respeitão a comunidade pela falta de vigilância local.
Outrossim, urgências de proteção pública são tão carentes que casos de desaparecimento acontecem, sem a identificação da vítima e de quem furtou a sua liberdade. Essa constante dialoga com a novela brasileira ´´Salve Jorge´´, que relata a vulnerabilidade feminina no tráfico sexual, esquecida pela ação policial. Nesse peculiar, a vigência de ferramentas de proteção coletiva deve ser estimulada para que o direito das vítimas seja ecoado. Em vista disso, a leniência na identificação dos casos, além da omissão policial sinfonizam com a frequência do crime, que segundo o Ministério Público do Estado (MP-SP) os jovens correspondem a um terço de desaparecidos no Brasil. Em suma, a redução de aparatos de proteção pública perpetua os sequestros.
Portanto, compete aos agentes sociais amenizar o quadro de pessoas desaparecidas no Brasil. Para isso, o Ministério da Justiça deve publicitar alas de desabrigados, com acesso a casas carismáticas, por meio do auxílio das mídias, pois publicará caminhos para proteção pública, com fins de impedir o desaparecimento de mais vítimas. Em eminência às prefeituras, propõe-se a projeção de câmaras de segurança e sistemas de alarme nas ruas, mediante verbas estatais, posto que ampliarão a vigilância, a fim de impedir a ocorrência do crime. Somente assim, o Brasil será terra, onde ´´Perséfones´´ não precisarão recorrer periodicamente aos seus familiares, haja vista que seus vilões serão penalizados.